Loading...

Follow HEAVEN ROSE by on Feedspot

Continue with Google
Continue with Facebook
or

Valid
Quando era mais nova estava sempre a dizer que queria ser uma hippie, ter os cabelos compridos e ir viver para a Austrália. Acampava na sala com uma tenda colorida e ficava lá o dia todo, a fingir que existiam ursos que iam atacar o meu forte a qualquer momento e que me teria de defender. Hoje, o excesso de aranhas nesse país muda um bocadinho o meu desejo mas ainda quero um cabelo comprido e pé descalço no chão. Um vestido bem leve e dançar apenas com as cearas à minha volta. Uma manta no chão e o momento faz-se sozinho. 


  fotografia: Joana César 


  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
É no mais simples que se encontra o mais belo. Desde pequena que era algo que a minha mãe me dizia, ensinando-me a preferir a simplicidade como caminho para atingir algo maior. Até então, segui esse conselho quase religiosamente, e fui aprendendo a criar muito com pouco. No sítio certo, à hora certa, todos nós brilhamos. De dia, o sol. À noite, as estrelas. Cada qual com o seu lugar e propósito. Se soubermos onde estamos, no universo, sabemos o que temos de fazer para brilhar. 


  fotografia: Joana César 

  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Mesmo quando o olhar é vazio e ilegível - sabemos que nele ele há uma orquestra barulhenta. O vento leva as palavras e as vogais ficam perdidas, agarradas nas folhas das árvores. Se hoje for menos eu, tenta pegar nessas vogais e colocá-las na pauta, para que a orquestra toque como deve tocar. Para que me lembre de como se olha - mas um olhar de ver. 


fotografia: Joana César 


  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
O Saramago disse que é preciso sair da ilha para ver a ilha. "Não nos vemos se não sairmos de nós". Sempre me quis ver inteiramente, ter noção de todas as minhas dimensões. Sempre tive curiosidade por saber de que forma sou vista pelos meus habitantes, nómadas que por aqui passeiam à descoberta, e que, no fundo, saem da ilha todos os dias. Somos infinidades de pessoas, uma para cada qual, em diferentes contextos e sítios. Nem nos apercebemos, na verdade. Somos camadas e camadas de terra, de pedra e de água que fazem um todo: a ilha.

Há ilhas que nem saindo. Nem vistas de muito longe nem de muito perto. 



fotografia: Joana César 

  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
O azul pode ser uma cor quente. Bem visto, está lá um bocadinho de quente, basta juntar-lhe um pouco de vermelho. Às vezes não percebemos que tudo se transforma, desde que tenhamos as ferramentas para o fazer. Uma das ferramentas é a nossa visão e a nossa capacidade de alcançar mais além. Quero ser o vermelho para o azul que invade este cenário e tornar estas fotografias num misto de sensações. Porque, no fundo, estou coberta de azul mas não estou azul: dentro de mim há vida muito quente. Peguem no azul que vos rodeia e misturem com o vermelho que tiverem, mesmo que seja um resto pequeno. Vai surgir uma nova cor, um novo calor. 


fotografias: Joana César 

  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Dentro de mim estão todos os cenários que quero viver. As hipóteses, as vidas. Alguns deles já vivi e não sei, não me lembro. Imagino um sítio, uma praça. Estou lá no meio, e à minha volta estão corredores de pilares. Como se estivesse fechada num quadrado. Dentro de mim está um sítio e não sei qual é. Sempre quis saber e já falei deste sítio a tudo e todos. 
Procuramos lugares nos cantos mais escondidos dos nossos cérebros na esperança de encontrarmos uma resposta, quando a resposta não está lá. Então, vamos sempre a correr num infinito escuro para uma luz que fica sempre mais longe. Procuro sempre saber que lugar era este. Vasculho no meu passado porque é mais fácil do que vasculhar no futuro, mas até perceber que não é lá que vou encontrar qualquer tipo de resposta, a corrida mantém-se. Um dia, mudo a rota. Não vou procurar mais. Um dia, estou a andar nessa tal cidade desfigurada e, do nada, vou encontrar essa praça cheia de pilares que tão bem imagino. 

Para a vida, façamos o mesmo. 


Foto: Irís Cabaça 


  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Escrevi duas linhas e pensei no impacto que elas teriam no meu futuro. Se me iria identificar com elas após estarem no mundo. Pensei se as queria publicadas. O que faz sentido agora e o que faz sentido depois? Colocamos constantemente questões e as linhas ficam cheias de pontos de interrogação. Duas linhas que nem se cruzam mas que estão cheias de significado, pelo menos na nossa língua. Noutras, nem tanto. Seriam apenas linhas. Ou então uma mancha preta. 




Fotografia: Íris Cabaça 


  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Vejo pessoas de punhos cerrados. Olhos fechados. Bocas tapadas. Vejo sentimentos presos e braços que querem dançar mas não podem. A consciência do ser e fazer é o que nos liberta, e é quando sabemos que estamos a agarrar-nos com muita força que nos podemos soltar. Soltar das nossas mentes, dos nossos músculos que nos prendem e não nos deixam falar. Seremos todos mais livres se dos nossos braços fizermos penas e das nossas mentes caixas abertas. Melhor ainda, nuvens, consistentes mas que se dissolvem e se adaptam às situações. Quero mais mãos abertas para que os pensamentos voem e façamos algo lindo, como deixar que as mãos falem por nós. Como dançar. Deixar que tudo saia, tudo entre. Sempre sem medos, de olhos abertos, mãos abertas, braços abertos. Não sabemos que somos dançarinos até o permitirmos. 



fotografias: Joana César 


  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Começamos a falar muito antes de termos consciência de que o estamos a fazer. Eu mesma já falei tanto sem saber, sem abrir a boca. Tantas vezes quis dizer algo e, sem o saber, disse mesmo. 
 Todas as vezes que os meus olhos tocam alguém há algo que eles dizem e não o consigo impedir. É como que uma estrada que parte do meu cérebro. Uma via rápida. Lá, voam pensamentos e sentimentos a velocidades assustadoras. Comecei a falar cedo. A falar. A cantar. A sussurrar. Ainda assim, não sei falar sem ser com o olhar. 


fotografias: Tiago Carvalho 

  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 
Os universos misturaram-se - o Vertigo com o Moonrise Kingdom  -, e ali estava eu, com uma máquina e a minha inocência numa escadaria tão frágil como a vida. 


fotografias: Joana César


Read for later

Articles marked as Favorite are saved for later viewing.
close
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

Separate tags by commas
To access this feature, please upgrade your account.
Start your free month
Free Preview