Loading...

Follow Gym Blog Brazil on Feedspot

Continue with Google
Continue with Facebook
or

Valid

A seleção feminina brilhou mais uma vez no cenário internacional, dessa vez contando com Rebeca Andrade recuperada e mostrando um pouco do que seu enorme talento pode fazer. Individualmente, Rebeca mostrou que, se existe uma ginasta que pode chegar perto de brigar pelo ouro com Simone Biles, essa ginasta é ela. Competindo uma Rebeca "cravada" contra uma Simone inconstante, a brasileira pode levar a melhor. A romena Larisa Iordache quase conseguiu o feito em 2014.

Apesar das novidades, analisando a competição percebemos que a seleção competiu basicamente com as mesmas séries do Mundial de Doha. A diferença real foi o solo de Rebeca (ela não competiu solo em Doha), sua nova entrada na trave, seu tkatchev carpado nas assimétricas e a nova série de Jade Barbosa também nesse aparelho. Então, qual foi a diferença de Doha para Cottbus? Por que os fãs agora estão se permitindo ser "Alices"*?

A diferença está na confiança que a seleção demonstrou nessa competição. Competindo com grandes chances de um resultado inédito, a seleção se portou também de forma inédita: apresentou com segurança o que foi proposto, com segurança no potencial que possui e com a responsabilidade de um bom resultado. E, mais uma vez, muitos começam a sonhar com um resultado tido para muitos como impossível: possibilidade de colocações excelentes e medalhas no Mundial de Stuttgart.

Mesmo com um menor grau de dificuldade em todas as suas séries, Thais dos Santos contribuiu bem no solo e trave. Carolyne Pedro entrou no lugar de Lorrane dos Santos, que ficou no Brasil e não mostrou a volta de alguns elementos que havia preparado no solo (flic sem mãos + duplo twist grupado e tsukahara). Jade foi poupada de impactos, mas sabemos que normalmente suas notas de solo e salto são muito importantes para a equipe. Flávia teve queda na trave e, nas classificatórias, Rebeca errou nas assimétricas. Tudo isso mostra que o Brasil ainda não se encontra em seu potencial máximo e, mesmo assim, foi capaz de vencer a Rússia. Essa talvez tenha sido a segunda vez que o Brasil venceu uma competição por equipes feminina (a primeira foi o Evento Teste dos Jogos do Rio em 2016).

Para Flávia, algumas coisas são importantes pontuar: a sequência de dois layouts, marca registrada de sua série, está muito inconstante. Em Cottbus, errou na classificatória e na final. Apesar de muito bonita, a sequência entra na série apenas para uma bonificação de 0,2, já que os layouts valem 0,3 (elemento C) e não contam para a nota de dificuldade dos acrobáticos da série. Colocando na balança da dificuldade X execução, quanto Flávia perderia / ganharia sem essa sequência na série? Vale um teste antes do Campeonato Mundial. Sobre o solo, se não for para incluir uma acrobacia mais difícil no lugar do tsukahara, a raríssima** e impressionante sequência de flic sem mãos + duplo esticado não acrescenta nada em sua nota de dificuldade.

Nota-se que a presença de Rebeca na equipe é muito importante. A seleção brasileira sem a Rebeca inteira é como a seleção americana sem Simone Biles. O Brasil precisa da liderança dela para aumentar a confiança na equipe e, consequentemente, conseguir notas mais altas. Essa competição na Alemanha marcou sua volta real depois de um longo tempo de recuperação completa das lesões no joelho. Precisamos que ela se mantenha assim, preservada, até os Jogos de Tóquio no ano que vem.

O ouro na DTB Cup pode não ser um resultado de grande importância, mas foi um resultado de grande valor. O gosto da vitória, a concretização do resultado de um grande esforço e todo o feedback nacional e internacional são combustíveis para a confiança das nossas ginastas em sim mesmas e no grande trabalho que está sendo realizado. O próximo compromisso importante da equipe são os Jogos Pan-Americanos em julho e a torcida vai ser forte.

* gíria popular para caracterizar uma pessoa que sonha com algo praticamente impossível
** a última ginasta a executar essa sequência com sucesso foi a americana Kristen Maloney em 2000.
Post de Cedrick Willian
Foto: CBG
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

O último Camping de Treinamento da ginástica artística feminina, que aconteceu entre os dias 07 e 17 de janeiro, foi feito de forma bem diferente da que o Brasil vem experimentando. Inicialmente a lista de convocação já não era igual as outras, contendo nomes de ginastas de 11 e 12 anos entre as adultas que estiveram no Mundial. Treinadores de clubes "menores" e também com primeira convocação estavam na lista. O ano de 2019 pode marcar o começo da democratização da nossa ginástica artística feminina.

Voltando um pouco atrás, todos sabem que o treinamento de alto rendimento do Brasil sempre esteve concentrado na seleção permanente e na antiga direção que, ao meu ver, também era permanente. Continuava sempre o mesmo esquema de convocações, treinadores, alimentação, peso, treinos, seleções e ginastas. Tudo era decidido entre um seleto grupo de pessoas que sempre estiveram ali. O conhecimento era altamente concentrado e restrito. Para as ginastas juvenis terem alguma chance de evoluir e estarem no cenário internacional, o treinador sem destaque do clube sem destaque deveria doar todo o seu trabalho para o centro de treinamento. Só assim a sua ginasta sem destaque poderia ter destaque algum dia. E assim terminou mais um ciclo olímpico: sem medalhas, muitas lesões, sem juvenis em desenvolvimento, ginastas adultas desmotivadas, treinadores desacreditados, depressivos e uma direção com várias justificativas para o fracasso .

Com Valeri Liukin no comando como treinador chefe da seleção, a mudança inicial mais significativa foi que nos campings estivessem presentes ginastas juvenis com seus próprios treinadores, aprendendo e aplicando os conhecimentos e treinos que seriam desenvolvidos. Dessa forma, não teve como correr da responsabilidade de convocar os treinadores que, aliás, são o foco dessa vez: as ginastas passam, lesionam, desistem e não querem mais ser atletas, enquanto os treinadores ficam e são os donos do conhecimento. Poderão começar uma nova geração muito melhor do que a última que produziu, já que agora tem acesso ao melhor conhecimento que o Brasil pode oferecer e é amparado por um dos melhores treinadores do mundo.

Precisamos entender aqui que um trabalho de curto prazo - Tóquio 2020, com todas as adultas - e outro a longo prazo - com novos treinadores e juvenis - está sendo feito. Não daria para anular um em função do outro, já que os resultados precisam acontecer também agora e continuar justificando o trabalho e investimento que está sendo feito. Por mais que o resultado do Brasil em Doha não tenha sido o mais feliz, é claro que as possibilidades que a seleção teve de conquistas nunca foram tão grandes. Quem aqui pensou que o Brasil lutaria pela prata numa final por equipes do Mundial? Ou que chegaria na Copa do Mundo de Cottbus um mês depois com resultados tão espetaculares?

Entre as diferenças que contrastam com o antigo sistema, ainda podemos incluir uma série de outras coisas:

- não existe mais balança para as ginastas se pesarem dentro do ginásio;
- não existe ginasta "gorda" ou "magra" a partir de seu peso absoluto: existem testes de percentual de gordura com meta desejada e testes de força e habilidades específicas;
- orientação nutricional;
- serviços de buffet durante os campings com direito a suco e sobremesa (sim, sobremesa!);
- as ginastas bebem água à vontade durante os treinos, afinal, a musculatura precisa ser hidratada para evitar lesões;
- trabalho multifuncional orientado pra treinadores e clubes, que agora tem contato direto com os profissionais do Comitê Olímpico Brasileiro, que incluem médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, preparador físico e até um biomecânico responsável pela análise de movimentos para melhora da performance e prevenção de lesões.

Dentro dessa nova forma de trabalho o camping se desenvolveu. Sob o olhar de Liukin, todos seguiam o quadro de treinos que ele tinha programado. O primeiro dia foi de avaliação médica e testes de habilidades específicas. Os demais dias foram de treinos em dois períodos, um de manhã das 08 às 12:30 e outro de tarde das 15:30 às 18:30. Sábado só de manhã e domingo inteiro de folga. Todas treinaram todos os aparelhos, todos os dias, com rotações de ballet e coreografia incluídas como se fosse a estação de um aparelho durante o treino. No final haveria uma convocação de 12 ginastas e 5 treinadores para o próximo camping, nos Estados Unidos, que incluiria a equipe juvenil que competirá no WOGA Classic no começo de fevereiro. A decisão seria tomada por ele, sem interferências da direção ou dos treinadores, que durante o camping inteiro acompanhou, corrigiu, interferiu e fez muitas anotações em um caderno particular.

Perfiladas em frente aos treinadores, as ginastas conheceram, todas ao mesmo tempo e sem enrolações, quais seriam as convocadas para o camping e competição juvenil. Liukin anunciou, entre as adultas, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Rebeca Andrade, Lorrane dos Santos, Thais Santos, Carolyne Pedro e Isabel Barbosa (infelizmente Isabel Barbosa não conseguiu o visto americano em tempo de poder acompanhar a equipe); entre as juvenis, Christal Bezerra, Ana Luiza Pires, Julia Soares, Camila Siqueira e Josiany da Silva. Logo após, se reuniu com os treinadores e, antes da convocação, mostrou todo o plano de trabalho que tinha que ser continuado nos clubes, mesmo para as que não iriam para o camping. Algo muito importante que merece ser destacado: a importância e entendimento que naquela sala estava a equipe do Brasil. O pedido era para que todos os treinadores ali presentes fizessem o melhor que pudessem pela nação, apoiando uns aos outros em tudo que fosse necessário. Isso era o mais importante de tudo! Só depois anunciou as treinadoras convocadas Clara Davina, Caroline Molinari e Beatriz Fragoso para as juvenis e Francisco Porath e Iryna Ilyashenko para as adultas.

Um reflexão: quando você iria pensar que um treinador americano seria treinador chefe do Brasil, faria uma convocação sem interferências e entre os convocados estaria duas ginastas de São Paulo e uma de Minas Gerais? Com treinadores de São Paulo e de Minas Gerais também convocados? Isso definitivamente não é mais do mesmo. Isso é o começo de uma democratização. A sensação é de que as portas estão abertas para quem se esforçar e buscar dar o seu melhor. Novos clubes e novos treinadores podem finalmente começar a aparecer no cenário da ginástica nacional e internacional.

O Brasil viaja para o Camping na segunda-feira dia 28 e retorna no dia 10 de fevereiro. O camping termina com a competição da equipe juvenil no WOGA Classic como uma preparação para o Mundial Juvenil que acontecerá em junho na Hungria. E dessa forma diferente e nunca trabalhada no Brasil, fica a esperança de que o novo seja melhor e que a democracia da nossa ginástica sempre permaneça. Existem treinadores, clubes e ginastas que trabalham duro em seus ginásios e esperaram por muito tempo por uma mão de ajuda e um voto mínimo de credibilidade.
Texto de Cedrick Willian
Foto: Abelardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

E finalmente termina o Mundial de Doha! Foram dez dias de cobertura de mais um mundial desse ciclo que, para o Brasil, só ainda não foi melhor que o ciclo 2005-2008. Estamos em um bom caminho. Que os erros sejam fixados, que o psicológico seja trabalhado e que as chances aconteçam para uma equipe fortalecida e ainda melhor que a que tivemos aqui.

Salto masculino

Os critérios de medalha nessa final eram praticamente esses: chegar em pé nos dois saltos; dar o mínimo de passos possível e o menor possível; cravar o salto. Quem fizesse isso estaria na corrida por uma medalha, já que as notas D eram iguais praticamente para todos os ginastas exceto Ri Se Gwang.

Gwang acertou os dois saltos que levam seu nome e que, logo de início, abrem uma vantagem de quatro décimos em cada um em relação aos outros concorrentes. Dalaloyan também acerta uma excelente tripla e um blanik muito alto! E Kenzo, que tinha a menor nota de partida da final, teve uma execução brilhante: saltou uma tripla sem grandes erros e um tuskahara com dupla e meia cravado! Ouro, prata e bronze para eles. Quarta medalha de Dalaloyan em sua quarta final em Doha.

Trave

Sinceramente não foi uma final agradável de assistir. Cheia de erros, o pódio foi praticamente de quem ficou em cima da trave. Quatro quedas no total mais uma queda no aparelho. Final de trave boa é aquela em que todas as ginastas acertam e você fica na dúvida de quem leva a melhor.

Sanne Wever, Simone Biles e Kara Eaker, talvez as favoritas nessa final, erraram muito. Nina derwael, que teve uma chance de estar no pódio depois dos erros de Zhang Jin e Simone, perdeu ligações e desequilibrou consideravelmente.

Dessa forma, Anne-Marie, que tinha nota D para um pódio, acertou sua série e trouxe a prata para o Canadá que já tinha uma medalha nesse aparelho conquistada no Mundial de 2006 com Elyse Hopfner-Hibbs. Essa também foi a segunda medalha individual conquistada pelo país em Doha.

Liu Tingting salva a moral chinesa levando o ouro com uma excelente série, muito limpa e muito bem cravada. Sem desmerecer o bronze e a classificação olímpica da seleção feminina aqui, a equipe chinesa está muito aquém do passado maravilhoso que possui.

Barras paralelas

Mais um quarto lugar para Sam Mikulak e mais uma medalha para Dalaloyan. É impressionante como Mikulak crava apenas onde ele não é o favorito. Acertou muito bem sua série de cavalo com alças no primeiro dia de finais e hoje acertou muito bem a paralela. Sua chance final fica na barra fixa, onde realmente está no páreo.

Sem perder o respeito pelo excelente trabalho de Oleg Verniaiev nessa final, Zou Jingyuan é atualmente o dono desse aparelho. Ele tem um estilo próprio e uma precisão incrível, algo parecido com Petrounias nas argolas. O corpo muito duro, paradas incrivelmente encaixadas, trocos extremamente rápidos e que de repente chegam na velocidade zero com uma parada perfeita. Essa é a série para se assistir das finais de hoje. Acho impossível ter algo mais próximo da perfeição do que ele apresentou nessa final.

Oleg Verniaiev também fez um trabalho brilhante e sempre será um candidato ao pódio nessas finais. Um errinho no fim da série - uma perda de equilíbrio no diamidov com 3/4 de volta - poderia tê-lo colocado mais próximo de Zou mas, mesmo com uma série cravada, seu lugar continuaria sendo atrás do chinês.

Solo feminino

É uma pena que o solo que Flávia passou aqui hoje, apesar de muito bonito, tenha sido o pior que ela executou durante todo o Mundial. Pisou fora do tablado no tsukahara grupado - esse erro já teria dado o bronze para ela - e teve uma chegada baixa no duplo carpado. Esse é o segundo ano seguido que o Brasil se faz presente nessa final e termina fora do pódio.

Simone Biles se torna tetracampeã mundial de solo, ultrapassando a romena Gina Gogean em títulos. Trabalho fácil para ela nesse aparelho, já tem nota D impossível de ser ultrapassada. A briga sempre será pela prata e bronze em toda final de solo que Biles estiver.

E nesse briga, lutou Mai Murakami e Morgan Hurd, sendo que Hurd levou a melhor. Com uma série bonita e com boas chegadas, Hurd ultrapassou Murakami por menos de um décimo. Apesar de muito boa, a série de Murakami teve chegadas muito baixas, e a nota abaixo de 14 aparentemente a deixou surpresa.

Angelina Melnikova fez uma excelente série, uma das melhores de sua carreira, e acabou terminando em 4° lugar. Fez um requerimento de nota D, dever e direito dela sempre que se sentir injustiçada, mas entre fazer um requerimento e ele ser aceito pelas juízas parece existir um abismo. Os juízes masculinos costumam ser mais favoráveis nesse sentido.

Barra fixa

Com uma série de barra fixa bem mas difícil que nas classificatórias, Epke Zonderland arriscou tudo que tinha para a conquista do ouro. Ligando um cassina com um kovacs e um kovacs com pirueta a um outro cassina, conseguiu nota final 15,100. Muito legal a barra fixa ter começado a ter valores de ligação! As séries ficaram mais emocionantes.

Tin Srbic, campeão mundial em 2017, também ligou quatro tkachevs em mais uma série com nota de partida aumentada para essa final, mas não conseguiu nota mais alta que Sam Mikulak em sua rotina cravada na final de hoje. Cravar a série foi essencial para Mikulak, que finalmente conseguiu sua medalha individual em mundiais!

Kohei Uchimura, tradicionalmente presente nessa final, conquista mais uma medalha nesse aparelho, terminando com a prata. Série muito limpa e com largadas muito altas, em que ele consegue retomar a barra com muita segurança e bom embalo merecendo os 14,800.

Artur Dalaloyan falha pela única vez em todo o mundial, mostrando que é humano e provavelmente está cansado de tantas finais. Não deixou de ser uma participação brilhante desse ginasta que voltou a dar gosto aos fãs em assistir a ginástica russa masculina.

Dessa forma o Mundial é finalizado. Começam agora as Copas do Mundo onde serão definidas as vagas de especialistas, tanto individual geral como por aparelhos. Ainda tem muita competição emocionante e classificatória por vir. Saem daqui classificadas as equipes da Rússia (masculino e feminino), China (masculino e feminino), Japão (masculino) e Estados Unidos (feminino).

Para os resultados completos, de todo o mundial, clique aqui.

Post de Cedrick Willian

Foto: World Gym Doha 2018
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

O primeiro dia de finais em Doha foi emocionante. Em um dia cheio de excelentes conquistas, a ginástica se mostra mais globalizada. Vários ginastas, de diferentes nações fora do eixo tradicional, conquistaram suas medalhas aqui. Taipé Chinês, Filipinas, México e Bélgica trouxeram marcas históricas para suas nações. E o brasileiro Arthur Zanetti, dono da última rotina do dia, finaliza com a prata, conquistando mais um pódio para o Brasil.

Solo

Arthur Dalaloyan, prezando pela excelente execução em suas aterrissagens, conseguiu ser mais limpo que o super campeão Kenzo Shirai. A série de Shirai continua sendo absurda, praticamente impossível de ser executada por qualquer outro ginasta presente nessa final, mas é fato que ele perdeu em execução durante esses anos, o que é normal acontecer. Dalaloyan coloca a moral da Rússia altíssima aqui em Doha e a estrada até Tóquio promete ser muito boa para essa renovada equipe.

Trazendo a primeira medalha para as Filipinas, Carlos Edriel conquistou o bronze. Carlos foi convidado pelo Comitê Olímpico Japonês para treinar no Japão, e ofereceram até uma carreira de estudos para ele. O ginasta de apenas 18 anos, dado ao talento e a excelente oportunidade de treinar numa escola tão tradicional e competente, chegará em Tóquio mais maduro e com uma grande oportunidade de fazer história mais uma vez.

Salto feminino

Simone Biles conquista o título de campeã de salto e não quebra nenhum recorde, já que a chinesa Cheng Fei possui três títulos mundiais nesse aparelho. Fei realmente era uma especialista de salto, com todas as habilidades que o aparelho exige, ao contrário das atuais "especialistas" que o país está produzindo.

Shallon Olsen conquista a prata e reafirma o bom momento que a ginástica feminina do Canadá vem passando. Ano passado, com uma queda no amanar, ficou fora do pódio. Esse ano, em entrevista na zona mista, disse que prezou pela dupla porque estava realmente segura e limpa, ao invés de arriscar um salto que não estava tão bom só pela sua nota de dificuldade.

Outra conquista inédita nas finais de hoje: Alexa Moreno é a primeira ginasta mexicana a conseguir uma medalha em mundiais. Presente sempre nas finais desse aparelho, passou "raspando" pelo pódio por várias vezes, mas hoje foi o dia dela. Em entrevista na zona de imprensa, a ginasta afirmou emocionada: "Finalmente o meu trabalho foi recompensado!".

Cavalo com alças

A final cheia de erros foi compensada pelas rotinas dos três medalhistas: Xiao Ruoteng, Max Whitlock e Chih Kai Lee. O empate das notas finais de Ruoteng e Whitlock foi definido pela melhor nota de execução, onde Ruoteng levou a melhor. Apesar de serem os donos do ouro e da prata, o destaque nessa final é do ginasta Kai Lee.

Com uma série recheada de flairs, o ginasta transitou por todo o cavalo com alças executando esse elemento: em transporte, entre as alças e fora das alças, também em spindels. Impressionante a velocidade, precisão e execução que ele teve, a mais alta da final. Uma série memorável e digna de medalha em toda as finais que estiver presente.

Barras assimétricas

A torcida era visivelmente favorável à Nina Derwael, que não decepcionou. Sua série é extremamente difícil, mas ela executa com muita fluidez e facilidade. Executar um nabieva e ligar um ehjova com um van leween na mesma série é pra poucas. Tudo isso para conquistar o primeiro ouro belga da história!

Presente em mais uma final importante, Elizabeth Seitz deu o melhor de si e foi recompensada. Ao passo que outras erraram - e que Aliya Mustafina não competiu com toda sua nota D possível - fez a melhor série que podia e conquistou sua primeira medalha nesse aparelho. Jonna Adlerteg errou muito e não teve essa chance, a mesma situação de Becky Downie.

O pódio foi completado por Simone Biles, que também nunca havia medalhado nas assimétricas. Foi só melhorar um pouco sua nota D e, claro, sua execução nos trocos, que acabou também sendo uma séria candidata às finais e medalhas nesse aparelho como demonstrou hoje.

Argolas

Petrounias abriu a final definindo a competição. Com uma saída cravada de duplo com dupla e nota final de 15,366, mostrou que o caminho para conquistar o ouro era ser melhor que ele. Com uma série de erros durante a série e também na saída, Igor Radivilov perdeu sua oportunidade, ao passo que o armeno Artur Tovmasyan e Nikita Nagornyy cravaram tudo que podiam e ficaram bem posicionados atrás de Petrounias.

O italiano Marco Lodadio botou muita pressão em Zanetti ao pontuar um 14,900 e se colocando em segundo lugar. O último a passar era Zanetti e o único que podia mudar o pódio nesse momento. 14,900 foi a nota que Zanetti havia conquistado no ano passado em Montreal.

Arthur precisava cravar a série e cravou. Numa final como essa, todos os erros devem ser eliminados. Cravar a saída é praticamente obrigatório. Mesmo fazendo tudo que podia, Zanetti não conseguiu passar o grego Petrounias. Com 15,100 conquista a prata, se mantendo como os melhores do mundo nesse aparelho.

Amanhã as finais continuam, e o Brasil ainda tem chances de medalhas com Caio Souza no salto e Flávia Saraiva no solo. Seria incrível ver o Brasil subindo ao pódio mais uma vez.

Post de Cedrick Willian

Foto: World Gym Doha 2018
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

Em uma final com várias quedas, duas delas inacreditavelmente foram de Simone Biles. Competindo com todos os elementos que tinha para oferecer, caiu no salto e na trave, sendo salva, dessa vez, pelo seu antigo pior aparelho: as barras assimétricas. O somatório final ainda foi suficiente para bater uma marca: ultrapassando Svetlana Khorkina (1997, 2001 e 2003), Simone sagrou-se tetracampeã mundial.

No salto, executando o biles, Simone não teve rotação suficiente no mortal e acabou caindo sentada depois de tocar os pés no chão. Na barra, conseguiu uma excelente série graças às melhorias que teve, e essa nota foi crucial para a boa continuidade de sua competição. Na trave, teve uma queda e vários desequilíbrios grandes. Chegou a passar de 15 pontos no nacional americano e hoje conseguiu apenas 13,233. No solo também houve mais erros: salto largo com saída dos limites do solo no moors e também um passo largo e perda de conexão com salto de dança no biles.

Ao passo que a dificuldade das séries salvaram Simone, a execução limpíssima de Nina Derwael não foi suficiente para deixá-la no pódio. Sua nota de execução mais baixa nessa final foi de 8,400 no solo, onde também tem um artístico muito bem trabalhado. As barras assimétricas, além de muito limpa, impressiona bastante pela sua estatura. Derwael é muito alta e vê-la fazendo barras ao vivo dá até um pouco de medo.

A atuação dessas duas ginastas colocam em xeque uma questão: o código de pontuação ainda dá espaço para que haja medalhistas com quedas ou Simone tem talento e dificuldade exagerada com relação às ginastas "normais"? Acredito que seja a segunda opção.

Ellie Black, vice-campeã mundial, teve uma queda e ficou fora da disputa. Flávia Saraiva a mesma coisa. E o mesmo teria acontecido com Hurd, Murakami, Nina e Melnikova. Nessa final, a única que realmente podia cair e continuar disputando um pódio, ainda mais o ouro, era Simone Biles.

Morgan Hurd correu como pode atrás da prata. Fez salto e barra excelentes além do melhor solo da carreira. Na trave, com uma queda sobre o aparelho, pode ter deixado a prata escapar para Murakami, que fez muito bem o seu trabalho na arena.

Murakami, Derwael e a chinesa Chen Yile foram uma das poucas ginastas que conseguiram o melhor de si hoje. Fizeram excelentes séries e, por isso, tiveram os resultados de acordo com o real potencial que possuem. É incrível ver Murakami, com 22 anos, conseguir um pódio individual geral pela primeira vez. Essa prata é, inclusive, o melhor resultado nessa final para ginástica feminina japonesa. Vale lembrar que ela lutou muito por isso, e a luta começou dentro do próprio Japão, quando ela poderia ter desistido ao não conseguir uma vaga olímpica na equipe de Londres em 2012.

Flávia abriu bem sua final nas assimétricas, acertando a série dessa vez. Com 13 pontos, seguiu para a trave, onde tinha potencial pra mais de 14; acabou caindo e, mesmo assim, conseguiu outros 13 pontos, que é uma nota alta para ginastas com queda nesse aparelho. Fez o 4° melhor solo da final de hoje (13,833) e 5° melhor salto (14,533), fechando sua participação em 8° com 54,366.

Jade, com 27 anos, ainda se mostra como uma generalista competente. Com Rebeca Andrade fazendo o individual geral ela fica fora dessa final, mas suas participações continuam sendo importantes em todos os aparelhos. Jade está empolgada com os treinamentos de Valeri Liukin e nunca se sentiu tão bem desde 2007. É provável que apresente upgrades em suas séries para o ano que vem.

A impressão que a seleção feminina causou aqui em Doha continua muito boa. As pessoas comentaram o 8° lugar de Flávia como um bom resultado. Todos sabemos que ela pode mais, inclusive ela. A ginasta disse em entrevista: "Eu preciso melhorar em tudo. Na trave, se eu tivesse acertado, talvez tivesse ficado no pódio, mas é só talvez. Tenho que chegar e competir bem. Pra mim o mais importante é estar ali. Se a medalha vier, ótimo! Se não vier, tenho que voltar pra casa e trabalhar mais".

Duas das cinco chances que o Brasil tinha de medalhas aqui em Doha já aconteceram: final por equipes feminina e individual geral feminino. Amanhã Arthur Zanetti entra na disputa nas argolas e sábado é a vez de Flávia no solo e Caio Souza no salto. A torcida não pode parar!

Post de Cedrick Willian
Foto: Aberlado Mendes Jr / rededoesporte.gov.br

  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

Correndo atrás de cada décimo possível, numa final onde errar era inimaginável para quem quisesse conquistar uma medalha, foram conhecidos os donos do pódio individual geral masculino do Mundial de Doha. Até exatamente a ultima nota, que ainda acabou por empatar o primeiro e o segundo colocado, a tensão e ansiedade eram grandes para se conhecer o campeão mundial.

Xiao Ruoteng defendeu seu título brilhantemente. Numa final quase impecável, cometeu erros no solo que podem ter lhe custado o centésimo que faltou no final, e foi nesse aparelho que o russo Artur Dalaloyan deu o seu recado, executando um triplo mortal tão alto quando sua vontade de ser campeão. No final, o empate de notas mostrou que ambos estavam aptos para serem campeões, mas a ginástica preza por uma execução bem feita e, nesse quesito - que é o critério de desempate -,  Dalaloyan levou a melhor.

Em entrevista na zona de imprensa, Dalaloyan afirmou: "Eu tinha apenas um objetivo, e era executar o meu trabalho da melhor forma possível do começo até o final sem erros. Fiquei surpreso e não tem nada mais que eu possa dizer. Estou muito feliz, me sentindo muito bem. Fiz de tudo para mostrar o meu melhor".

O ginasta russo quebrou um hiato de quase vinte anos sem ouro no individual geral masculino para a Rússia. Com o fim da União Soviética, apenas Nikolay Krukov conseguiu o título para o país no Mundial de Tiajin em 1999. Desde então, Alexei Nemov, David Belyavskiy e Yury Ryazanov, que chegou a ser bronze em 2009, não tiveram sucesso nessa empreitada. Hoje o ouro veio e não foi sozinho: também na luta ponto a ponto, Nikita Nagornyy fez a melhor competição que podia e deixou os erros para os adversários, terminando com o bronze. Impressionante dois ginastas tão novos e com tanta consistência numa final como essa. Essa dupla ainda vai "tocar o terror" na equipe russa por um bom tempo.

Sam Mikulak mais uma vez perde a chance de colocar no pescoço sua primeira medalha individual em mundiais. Mikulak é provavelmente o ginasta americano mais condecorado em nacionais que não possui nenhum pódio mundial. Novamente a barra fixa, onde ele é muito limpo e seguro, foi o aparelho que o deixou de fora. Dessa vez o problema foi o protetor palmar, que escorregou quando retomou a barra no tkatchev com meia volta.

A mesma coisa aconteceu com Oleg Verniaiev. Torcer para Verniaeiv é fazer o coração sofrer. Enquanto passava pelos seus melhores aparelhos - argolas, salto e paralela -, a chance de ouro era visível. Logo após começaria sua sequência de aparelhos mais fraca - barra fixa, solo e cavalo com alças -, e já na barra fixa ele errou. Acertando as séries que viriam, tinha grandes chances de concorrer ao ouro ou, no mínimo, terminar no pódio.

Caio Souza, com uma queda no cavalo com alças, melhorou sua posição em relação ao ano passado quando foi 15° colocado em Montreal. Terminou hoje em 13°, fazendo boas apresentações em todos os aparelhos. Caio é talentoso e com certeza pode fazer melhor do que apresentou aqui, em nota D e, principalmente, em nota E.

Apresentações memoráveis dessa final: solo de Dalaloyan e Kenzo Shirai; cavalo com alças de Sun Wei; toda a rotação de salto do grupo 1; salto e paralela de Verniaiev; barra fixa de Dalaloyan. Assim que os vídeos saírem no canal da FIG, não deixem de procurar essas séries, vale muito a pena. Resultados completos da final de hoje: clique aqui.

As finais continuam amanhã com o individual geral feminino. Flávia Saraiva e Jade Barbosa estarão presentes nessa final, sendo que Flávia concorre por uma excelente colocação. Fica a nossa torcida.

Post de Cedrick Willian
Foto: Abelardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

As finais individuais do Mundial de Doha começam hoje, recheadas de campões mundiais e olímpicos. Alguns provavelmente sustentarão suas coroas, como é o caso de Simone Biles e Xiao Ruoteng. Entretanto, surpresas nas finais por aparelhos podem acontecer.

Individual geral masculino

O favorito nessa final é o atual campeão mundial, o chinês Xiao Ruoteng. Mas a disputa não vai ser fácil: o russo Nikita Nagornyy está muito forte nessa disputa, que será contabilizada décimos a décimos. Ainda temos na disputa: Oleg Verniaiev, vice-campeão olímpico, que pode, num dia bom, bater de frente com os dois primeiros colocados; Kenzo Shirai, medalha de bronze nessa final em 2017; Sam Mikulak, que acertando as suas séries corre mais pelo bronze, podendo ter uma surprese caso os adversários errem. Caio Souza entra nessa disputa por um top 10, melhor resultado de sua carreira. Caio vai começar no cavalo com alças, aparelho que pode definir, logo de início, o resultado da sua competição.

Individual geral feminino

Simone Biles é imbatível. Tricampeã mundial e campeã olímpica, se Simone contabilizar quatro quedas ainda pode ser a campeã mundial e ser a primeira ginasta do mundo a conquistar o título pela quarta vez. A disputa disputa nessa final é pela prata e bronze, e conta com a presença de: Morgan Hurd, campeã mundial em 2017; Ellie Black, vice-campeã mundial em 2017 apenas um décimo atrás de Hurd; a nível de título (a que esse texto se refere), Jade Barbosa está nessa final e foi bronze em 2007. Flávia Saraiva corre nessa final por um lugar no top 5. Vai começar nas barras assimétricas, e assim como Caio Souza, esse primeiro aparelho provavelmente já define seu resultado final. Até agora, Flávia ainda não acertou nenhuma série de assimétricas aqui em Doha.

Solo masculino

Kenzo Shirai, campeão mundial 2013, 2015, 2017 e vice-campeão  em 2014, chega em mais uma final como favorito e com um caminho mais difícil do que nunca. Apesar de ter a nota D mais alta da final (6,8), enfrenta dois russos, ambos com um triplo mortal no solo, que estão com notas E bem altas. Nikita Nagornyy e Arthur Dalaloyan (classificado em primeiro) sem dúvidas vão fazer o possível para que um ouro russo aconteça.

Salto feminino

Simone Biles, apesar de ser campeã olímpica, nunca foi campeã mundial. Curiosamente o título mundial no salto ainda lhe falta e sem dúvidas é seu. Na concorrência pela prata e bronze estão: a nível de títulos, Oksana Chusovitina, nove vezes medalhista de salto em mundiais, contabilizando um ouro, e vice-campeã olímpica nos Jogos de Pequim em 2008; Shallon Olsen, que não tem títulos, mas foi finalista de salto no ano passado e, com um cheng e um DTY, está classificada em 2° para essa final com grandes chances de medalha.

Cavalo com alças
Bicampeão mundial e campeão olímpico, Max Whitlock é o favorito. Tem uma certa vantagem, mas não pode se acomodar: na sua cola está Xiao Ruoteng, bronze no ano passado. David Beliavskiy, prata no ano passado, também se encontra nessa final. A final ainda conta com Cyril Tommasone, medalha de prata em 2011 e bronze em 2014. Fora Whitlock, essa final está imprevisível. As notas nas classificatórias foram bem estranhas e não deram muito parâmetro para quem assistiu.

Barras assimétricas

Nina Derwael, bronze em 2017, se classifica em primeiro para a final como favorita ao ouro. Esse seria o primeiro ouro belga em Mundiais e a pressão é grande. Não podemos ignorar a presença de Aliya Mustafina, bicampeã olímpica, que apesar de estar com uma série simples tem uma execução limpíssima; nem Simone Biles, classificada em segundo lugar para a final e com uma melhoria absurda nesse aparelho desde 2016. Essa pode ser a primeira medalha de Biles nas assimétricas. Curiosidades: se a sueca Jonna Adlerteg conseguir uma medalha nesse aparelho, será a primeira medalhista mundial do seu país em 64 anos.

Argolas
Duelo entre dois campeões olímpicos e mundiais: Arthur Zanetti versus Eleftherios Petrounias. Petrounias apresentou uma série mais difícil e mais limpa que Zanetti nas classificatórias. Não dá pra saber se Zanetti tem uma série mais difícil do que a que apresentou, mas com certeza é possível melhorar a execução que obteve. Igor Radivilov também está na disputa e tem um histórico extenso em finais importantes.

Salto masculino

Ri Se Gwang e Kenzo Shirai são os que tem o currículo mais extenso. Gwang é bicampeão mundial e campeão olímpico. Shirai é o atual campeão mundial e bronze olímpico. Enquanto Kenzo precisa contar com uma execução brilhante, Gwang esbanja dificuldade. A final está cheia de saltos difíceis  e é nessa disputa que Caio Souza entra: ele é um dos cinco ginastas dessa final que só não tem nota de dificuldade maior que Gwang. A disputa por um lugar no pódio será definida pela melhor nota E possível.

Trave

Detentora de dois títulos mundiais, se conquistar o terceiro ouro nesse aparelho Simone quebrará mais um recorde. No momento, apenas ela, a romena Daniela Silivas e as americanas Shannon Miller e Nastia Liukin são detentoras de dois títulos mundiais. Na corrida pelo terceiro título, enfrenta Sanne Wevers, campeão olímpica em 2016 e prata no Mundial de 2015. Simone leva vantagem na solidez de sua série, que não depende de ligações para uma nota D alta. Sua principal adversária, no entanto, pende mais para o lado da compatriota Kara Eaker do que Wevers.

Barras paralelas

A medalha está mais favorável ao campeão mundial Zhou Jingyan do que ao campeão olímpico e mundial Oleg Verniaiev. Jingyuan se classificou em primeiro para a final com 15,800 e uma nota D de 6,6. Na final por equipes alcançou a nota final 16,200, com nota D de 7,0! Algo absurdo no novo código. O chinês tem um estilo muito próprio, com trocos rápidos e precisos além de muita firmeza nas paradas. Na disputa ainda temos o bronze olímpico e mundial David Belyavskiy e o campeão mundial, também chinês, Lin Chaopan.

Solo feminino

Biles parte para o quarto título mundial sem nenhuma pressão, sendo a primeira ginasta do mundo a conseguir o feito. Disputando a prata e o bronze temos a campeã mundial Mai Murakami, mas a conquista dessas medalhas não vai ser fácil. Aqui entram as chances de Flávia Saraiva ser medalhista: ontem, na final por equipes, Flávia teve a segunda melhor nota nesse aparelho, um 13,800 contra um 13,766 de Murakami. Morgan Hurd, Angelina Melnikova e Melanie de Jesus dos Santos também estão fortemente nessa disputa.

Barra fixa

Kohei Uchimura: um ouro, duas pratas e dois bronzes em mundiais. Epke Zonderland: dois ouros e três pratas em mundiais mais um ouro olímpico. Tin Srbic: atual campeão olímpico. Os currículos dos três não valem mais do que a apresentação na final, já que um dos grandes concorrentes aqui em Doha não tem nenhuma medalha mundial, o americano Sam Mikulak. Na final por equipes masculina, Sam conseguiu a maior nota do dia, um 14,500, e vai fazer de tudo para ter no currículo essa conquista pessoal inédita.

Post de Cedrick Willian
Foto: Abelardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

Procurando palavras para descrever a atuação do Brasil na final por equipes de hoje não é possível encontrar outra que não seja orgulho. Estar entre as oito melhores equipes do mundo com chances reais de conseguir uma medalha é algo inédito para o Brasil.

Hoje, como nunca, todo mundo torceu. Torceu com a certeza de que o sonho poderia se tornar realidade. A medalha estava ali, nas nossas mãos, mas acabou escorregando. O que aconteceu hoje em Doha foi uma fatalidade e não falta de competência. Essa é a diferença da final de hoje para todas as finais que o Brasil já competiu: a seleção estava batendo de frente, de igual para igual; a ginástica dessa equipe era competente.

Em Glasgow, durante as classificatórias, a torcida foi outra. A equipe precisava estar entre as oito melhores para se classificar para os Jogos Olímpicos e, naquela época, cada décimo valia muito. Cada novidade nas séries de paralela - remediadas de última hora - era extremamente importante. Errar? Jamais! Cair? Nunca. A ginástica que a equipe tinha não permitia isso. O único caminho era acertar tudo e esperar uma queda da equipe da Holanda, o que não aconteceu. Consegue enxergar a diferença?

O cenário atual da seleção feminina não mais é esse. Agora, mesmo com uma queda na trave, a equipe chegou na última rotação em terceiro lugar, com chances reais de ficar com a prata ou o bronze. A torcida de hoje não era pela classificação olímpica: sem dúvidas a equipe vai se classificar no ano que vem. A torcida realmente era por uma medalha.

Em 2019 as chances de medalha por equipe mudam consideravelmente. Grã-Bretanha vai ter se recuperado e França também. Tem uma renovação incrível chegando para a Itália e outras boas juvenis no Canadá. Mas o Brasil também estará melhor.

A talentosa equipe brasileira tem muitos pontos a trabalhar e que acrescentarão ainda mais na boa impressão internacional que vem causando. Rebeca fazendo o individual geral, Lorrane com mais tempo de treino, Jade com mais solidez e até, quem sabe, a possibilidade de recuperação da ótima ginasta Fabiane Brito.

Esse já é o otimismo adiantado para 2019. Porque prefiro continuar mastigando e engolindo meu otimismo em momentos de chateação como o de agora, do que viver sem a esperança de que os sonhos da nossa ginástica podem se tornar realidade. Obrigado por esse momento, meninas!
Post de Cedrick Willian
Foto: Abelardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

A seleção masculina do Brasil acaba de competir na final por equipes em Doha. Em alguns momentos melhores que nas classificatórias, a equipe conquista o melhor resultado em mundiais: 7ª posição com 243,994. Mas será que eles realmente poderiam ter terminado entre as cinco primeiras equipes aqui hoje?

Ontem fui criticado por isso, por usar muito "se". Tudo bem, estar aberto à críticas faz todos crescerem. Entretanto, se estamos trabalhando com hipóteses, o uso do "se" é necessário. E nas hipóteses do Brasil não estou falando de adição de novos elementos nem de um Nory mais bem recuperado: estou levando em consideração apenas a ginástica que eles apresentaram aqui. Sem tirar nem pôr.

E realmente era possível uma colocação ainda melhor nessa final por equipes. Com o somatório das melhores notas da equipe em cada aparelho (nem estou contando as melhores notas individuais de cada um), o Brasil poderia ter fechado essa final em 4° lugar.

Solo - C: 40,765 / F: 41,932
Cavalo com alças - C: 36,966 / F: 35,899
Argolas - C: 42,999 /  F: 42,899
Salto - C: 43,333 / F: 42,057
Paralela - C: 42,332 / F: 39,674
Barra fixa - C: 41,266 / F: 41,533

O total das melhores notas do Brasil nesse Mundial seria 248,995. Ficaria à frente da Grã-Bretanha, que conseguiu 248,628. Apurando ainda mais o trabalho técnico no cavalo com alças, assim como foi feito nas argolas, a média do Brasil nesse aparelho pode ser melhor, algo em torno de 13,500. Dessa forma, os resultados e a competitividade com os que ainda estão à nossa frente seriam melhores.

A equipe também precisa estar melhor preparada para competir essa final: classificar já é uma realidade. Essa é a terceira final consecutiva que o Brasil entra (2015, 2016 e agora 2018) e compete com erros. Temos que sair do Brasil já tendo em mente que a equipe vai estar na final, e que ela pode e deve ser competida da melhor forma possível. Em Glasgow houve erros, no Rio também e agora mais uma vez. Não precisa ser assim.

Anos atrás sonhávamos em bater França, Itália, Espanha, Alemanha e Ucrânia. Sonhávamos em classificar uma equipe completa para os Jogos Olímpicos. Desde 2015 o sonho se tornou realidade e o hoje somos uma das oito melhores equipes do mundo. O próximo passo é começar a sonhar novos sonhos.

Post de Cedrick Willian
Foto: Aberlardo Mendes Jr / rededoesporte.gov.br
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

O Brasil acaba de se firmar em Doha como uma das oito maiores potências da ginástica artística mundial. A ginástica masculina se mantém entre as oito enquanto a ginástica feminina retorna. O ótimo resultado tem chances de ser ainda melhor, visto que as duas equipes competiram com falhas nessa fase inicial do Mundial. Agora é partir pro tudo ou nada, correndo atrás de cada chance que for oferecida nessa final.

A seleção masculina competiu com quedas e erros no cavalo com alças. No aparelho mais difícil da competição, aparentemente ninguém podia errar. Os ginastas que acertavam as séries estavam com notas baixas. Os que erravam, estavam piores ainda. O aparelho foi apelidado de "touro com alças". A rotação dele é praticamente decisiva numa final por equipes e o objetivo da seleção aqui é não cair de forma alguma.

O solo teve muitos erros de Arthur Zanetti, que poderia ter a melhor nota da equipe nesse aparelho. Arthur Nory pisou fora do tablado, algo que pode ser melhorado, e Caio Souza pode fazer chegadas mais firmes e cravadas. Na paralela e barra fixa, Francisco Barreto pode ser ainda melhor, aumentando sua nota de execução. No mais, o restante da competição teve bons acertos. Fica a dúvida quanto ao ginasta Lucas Bittencourt que, apesar de muito talentoso, anda apresentando séries muito inconsistentes. Numa batalha acirrada entre Estados Unidos e Grã-Bretanha, amanhã essa equipe pode terminar entre as cinco primeiras e melhorar o oitavo lugar conquistado em Glasgow.

Possível line up da final por equipes masculina

Solo - Zanetti, Nory e Caio
Cavalo com alças - Nory, Caio e Francisco
Argolas - Francisco, Caio e Zanetti
Salto - Zanetti, Nory e Caio
Paralela - Nory, Francisco e Caio
Barra fixa - Nory, Caio e Francisco

Lucas teria a chance de se apresentar na paralela, onde teve a terceira melhor nota. Entretanto, Francisco, sem errar a série, tem chances de nota maior que ele. As decisões sobre o Lucas são bem difíceis porque o ginasta tem muito potencial mas, recentemente, poucos acertos. Acredito que a melhor forma é analisar o treino.

A rotação do Brasil na final vai ser muito boa, já que vão começar nas argolas, aparelho que a seleção se apresentou muito bem na classificatória. Dessa forma, as chances dos meninos se sentirem seguros e irem ganhando confiança até o final, quando terminam no cavalo com alças, é grande e pode fazer muito bem para eles.

Por outro lado, a seleção feminina vai começar sua rotação na trave, onde competiram mal. A trave, que havia anos não assombrava o Brasil, hoje foi um fantasma do passado. Que fique por lá! Um bom treino para as meninas até dia 30 seria fazer a rotação da mesma forma que será na final. E também analisar a série de trave da Thais Santos com atenção porque, dada as quedas de Jade no treino de pódio e nas classificatórias, Thais pode ser portar de forma mais segura na final.

Em comparação com a classificatória, a seleção feminina pode: aumentar em mais ou menos três pontos a nota da equipe na trave; subir em um ponto a nota de solo, com mais acertos de Jade e Thais; manter o salto, que foi ótimo; manter a paralela, com Lorrane dos Santos acertando um pouquinho mais.

Pensando nos cinco primeiro países classificados nessa final, apenas dois contaram com quedas: Brasil e China. Os outros países contaram realmente com suas melhores notas. Descartando os Estados Unidos, Canadá e Rússia fizeram uma competição excelente e, na teoria, não tem o que melhorar nessa final. As coisas realmente podem melhorar para o Brasil e para a China, enquanto o restante tem que tentar se manter. China, Rússia, Canadá e Brasil brigam diretamente pela prata e bronze nessa final, com uma tendência maior, claro, para as tradicionais escolas chinesa e russa. Um quarto lugar pra o Brasil seria o melhor resultado da história.

Possível line up da final por equipes feminina

Salto - Flávia, Jade e Rebeca
Barras - Lorrane, Jade e Rebeca
Trave - Thais, Rebeca e Flávia
Solo - Jade, Thais e Flávia
Post de Cedrick Willian
Foto: Abelardo Mendes jr / rededoesporte.gov.br

Read for later

Articles marked as Favorite are saved for later viewing.
close
  • Show original
  • .
  • Share
  • .
  • Favorite
  • .
  • Email
  • .
  • Add Tags 

Separate tags by commas
To access this feature, please upgrade your account.
Start your free month
Free Preview