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UMA VEZ que a Ancine não vai mais poder bancar putaria, venho preventivamente satisfazendo minha sede de pornô com uma coisa muito mais picante que Bruna Surfistinha: os dados de desmatamento do Inpe. Confesso, despudoradamente, que virei um voyeur do Terra Brasilis. Todos os dias, enquanto minha mulher não está olhando, abro o computador cheio de lascívia para ver aquele gráfico vermelho enooorme subindo sem parar. Coração palpitando, assisto via satélite e em tempo real a uma suruba de proporções épicas: um país inteiro fodendo a Amazônia. Morra de inveja, Reinaldo Moraes.

Como todo vício, a coisa começou devagar. Umas espiadinhas quinzenais em maio, quando a potente verga começou a subir depressa, embalada pelo Viagra de mil motosserras. Em junho a tara me pegou de jeito, quando descobri casualmente que o corte raso estava no rumo de ser um dos piores da série histórica; o peep-show ficou semanal. Agora, em julho, não largo o site de sacanagem nem durante as férias. Tô quase procurando tratamento.

Uma amiga jornalista, sabendo do meu fetiche, me ligou na noite da última sexta-feira (19) dizendo que estava no Terra Brasilis na página de alertas do sistema Deter-B, mas que achava estar fazendo alguma besteira na hora de filtrar o dado: afinal, na manhã de quinta o Observatório do Clima havia publicado no Twitter que o desmatamento em julho estava em 981 km2. Agora, 36 horas depois, estava em 1.209 km2. Certamente ela havia errado em algum lugar. Refiz a busca com minha experiente mão esquerda (sou canhoto) e… não, minha amiga não havia feito nada errado. Os alertas de desmatamento de fato haviam subido 228 km2 em um dia e meio – dez campos de futebol tombando por minuto. Julho de 2019 é disparado o mês com mais alertas desde que o Deter-B entrou em operação, em 2015/2016. Como sabemos, julho de 2019 ainda está a uma semana e meia do fim. No momento em que escrevo, manhã de sábado, estamos em 1.260 km2. Como reparou um gaiato no Twitter, a escala do gráfico do Inpe só vai até 1.300 km2.

O Deter-B é um sistema de alertas. Não serve para medir área desmatada, conta feita apenas uma vez por ano pelo seu irmão mais velho, o Prodes. O Deter é, como o nome indica, uma ferramenta para orientar a fiscalização do Ibama, então ele precisa ser rápido. O trade-off da velocidade é a resolução: suas imagens são um pouco míopes, então o sistema não é capaz de enxergar todo o desmatamento. No ano passado, por exemplo, o Deter-B apontou 4.572 km2 de alertas entre agosto e julho (o “ano fiscal” do desmatamento vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte). O Prodes, divulgado em novembro, deu uma estimativa de 7.900 km2, depois corrigida para 7.500 km2. Até dia 19 de julho, o Deter estava apontando um agregado de 5.838 km2, que, no atual ritmo, passará fácil de 6.000 km2 até o fim do mês. Apenas como experimento mental, aplicando a mesma diferença de 64% vista no ano passado entre Deter e Prodes, chegaremos à beira dos 10 mil km2 de desmatamento na Amazônia no primeiro ano da Nova Era. Sério, se você está perdendo tempo no X-Videos, corra para o Terra Brasilis pra ver o que é sacanagem de verdade.

Na última vez que o desmatamento na Amazônia esteve em cinco dígitos, em 2008, ainda não existia Instagram, Obama ainda não era presidente e a Alemanha era apenas o país de quem a gente tinha vencido a Copa de 2002.

A causa da fodelança com nossas matas é autoexplicativa. Temos um Presidente da República eleito sob a promessa de detonar o meio ambiente, sob a promessa de castrar o Ibama, sob a promessa de perseguir ONGs e acabar com os direitos de povos indígenas e outras minorias. Esse presidente recebe conselhos de spin doctors ambientais e tem como ministro do Meio Ambiente um homem que pratica o duplipensamento e se orgulha de “meter a foice no Ibama”. Na real, com o panão que Brasília tem passado sucessivamente para o crime ambiental, espanto seria se o desmatamento não tivesse disparado.

Se você foi um dos 58 milhões que elegeram esse senhor achando que ele não estava falando sério, que o que importa mesmo é “tirar o PT” ou, sei lá, que usar verba de gabinete para “comer gente” é cool, sinto muito, queride: sua digital e seus fluidos corporais estão lá, no surubão do correntão, em cada pau tombado e cada hectare grilado na Amazônia. Tomara que seu conje descubra.

Em defesa do governo Bolsonaro, é preciso reconhecer que o presidente e seus ministros não esperaram o desmatamento sair de controle para alvejar o mensageiro. Desde antes de assumir o cargo, o improbo que ocupa o Ministério do Meio Ambiente já vem tentando botar no rabo do Inpe, dizendo ora que o Deter-B “não consegue distinguir desmate legal de ilegal”, ora que seus dados “não servem para orientar a fiscalização” (o que é meio como dizer que geladeiras não servem para conservar alimentos), ora que eles não servem para “prevenir” desmatamento. Ergo, é preciso comprar na iniciativa privada – claro – um sistema de alertas “diários”. (Considerando que o Ibama pouco foi a campo na Amazônia desde janeiro, e não é por falta de vontade de seus agentes, um sistema de alertas diários serviria apenas para alimentar o voyeurismo de tarados como eu.) O ministro tem dito em entrevistas que o desmatamento já vem subindo desde 2012, como se houvesse uma força alienígena misteriosa elevando a taxa e o governo não tivesse nenhuma responsabilidade sobre a tendência.

Mas o condenado do Meio Ambiente tem companhia no coro anti-Inpe. Sua supervisora de estágio, a ministra da Agricultura, disse que o dado do Deter tinha “problemas técnicos”. E o general chefe do Gabinete de Segurança Institucional grasnou que “o dado é manipulado”. Para não ficar atrás dos subaltas, visto que em tese tem o pinto maior, o Presidente da República não se limitou a criticar o dado: já partiu para o ataque pessoal, sentenciando que o diretor do Inpe está “a serviço de alguma ONG”. A leviandade, que afronta o artigo 8º da Lei 1.079/50, ganhou resposta à altura no dia seguinte.

O que me deixa particularmente chocado não são os zurros de praxe de Bolsonaro, mas o silêncio sepulcral do setor que em tese mais tem a perder caso o Brasil se consolide no papel de pária ambiental do mundo: o agronegócio. O comportamento de suas lideranças, de seus ideólogos e de seus representantes eleitos nos sete primeiros meses de governo Bolsonaro me dá a certeza de que o tal “agro moderno” que o Brasil tentou vender durante os últimos 15 anos nunca passou de um ogro arcaico esperando para tomar o poder e restaurar a ordem pré-1988. Todos os sinais dados pelo governo com seu discurso e seus atos antiambientais sugerem que a produção rural no Brasil não pode prescindir da derrubada de florestas e de um ou outro índio morto. O agropop, ao se calar, aparentemente está consentindo com isso.

Luiz Cornacchioni, da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), que fez uma solitária defesa pública do Código Florestal que Bolsonaro tentou destruir duas vezes, inclusive ao arrepio do Congresso, talvez seja a tal exceção que prova a regra. A Sociedade Rural Brasileira, que não muito tempo atrás se pintou de verde para se diferenciar dos radicais da bancada ruralista, tomou o lado do ministro do Meio Ambiente (egresso de seus quadros) quando oito ex-titulares da pasta contaram em público o segredo de polichinelo de que o rapaz está desmontando a governança ambiental do Brasil. A ministra da Agricultura, como vimos, vai a Bruxelas jurar que o agro brasileiro é plenamente sustentável e, ao pousar no Brasil, completa a frase com um “sustentável nos termos que eu definir”. A bancada ruralista no Congresso está possivelmente distraída demais com os orgasmos múltiplos que o Planalto lhe propicia para olhar com alguma objetividade para o noticiário.

Os produtores-executivos da pornochanchada amazônica devem estar pensando que os compradores das commodities brasileiras são idiotas que vão engolir bangue-bangue, repressão a ONGs, devastação galopante e o eventual dado manipulado ou censurado de desmatamento em plena era do Google Earth. Têm razões para pensar assim, porque o mercado mais exigente do Brasil, o europeu, está se comportando como tal ao fechar um acordo comercial que ficou empacado por 20 anos na semana em que os jornais anunciavam a escalada da destruição. A mensagem que fica para aquele agro que estava pensando em sair do armário da omissão é: “pra que se desgastar e falar alguma coisa, se a gente está ganhando tudo?”

É uma aposta alta no estado estacionário, colegas. Eu, no vosso lugar, não gostaria de estar na ponta errada de um retrocesso civilizatório, mas cada um, cada um; ainda somos livres até mesmo para nos aliarmos a liberticidas. Ocorre que o mundo gira e a Lusitana roda: Merkel e Macron podem até ter pagado de patetas diante de Bolsonaro na semana do fechamento do acordo, mas a guerra ainda não está ganha. A opinião pública no Brasil engole cada vez menos a balela do desmatamento necessário; os PVs europeus, empoderados após a eleição, e os agricultores franceses, protecionistas até a medula, estão querendo fazer com vocês, como dizíamos nos anos 80, o que o cavalo fez com a égua. Esta vai ser uma sacanagem definitivamente interessante de assistir.

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Muita gente sofre para manter um peso saudável, mas sem se atentar para os processos psicológicos que facilitam ou dificultam o controle do peso, pode ser muito mais difícil. Hoje daremos algumas dicas de como a psicologia pode te ajudara a emagrecer. Você pode ver o vídeo de hoje abaixo ou clicando aqui.

Como emagrecer com ajuda da psicologia? - YouTube

Watch this video on YouTube.

Aqui vai um trecho do incío do vídeo: A maioria das pessoas falha miservavelmente na tentativa de emagrecer e manter o seu emagrecimento. Eu sou o André, doutor em psicologia e hoje vou dar algumas dicas de como você pode melhorar a sua saúde física com a ajuda da psicologia. A obesidade tem se tornado cada vez mais comum em diferentes lugares ao redor do mundo por 2 principais motivos: maior ingestão de calorias e sedentarismo. Existem muitos outros fatores envolvidos na obesidade e podemos falar melhor disso em outro vídeo. Comenta aqui embaixo se quiser que a gente fale disso e aproveita para se inscrever aqui no canal também! Pessoas obesas possuem maior risco de desenvolver diferentes doenças, tais como doenças cardiovasculares, que podem predispô-las a incapacitações graves e mortes prematuras. Por isso, identificar tratamentos efetivos pode salvar muitas vidas. Alguns dos tratamentos mais conhecidos são dietas e cirurgias. Ambos tendem a facilitar a perda de peso a curto prazo para algumas pessoas, mas vários estudos já evidenciaram que a perda de peso a longo prazo é difícil para maioria das pessoas.

Referências recomendadas

Aqui vão algumas ótimas referências sobre obesidade, saúde, dietas e emagrecimento. Certifique-se também de conferir os vídeos que inserimos nos cards do vídeo de hoje, todos eles tem muito a ver com os assuntos que abordamos no vídeo: link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, linklink, link, link, link.

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imiseração (i.mi.se.ra.ção)
s.f. estado de empobrecimento ou degradação crescentes; miserabilidade, declínio, decadência, ruína. imiserável, adj. que pode passar ou está passando por um processo de empobrecimento; decadente, falido.
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Parece um modelo de campo magnético estelar, mas é algo bem mais palpável: uma simulação computacional da interação entre a luz (manchas amarela e vermelha) com o tecido mamário humano (branco). [Imagem: T. Harries/Univ. de Exeter]

Novos tratamentos do câncer pretendem usar a luz para procedimentos não-invasivos. Como lidam com a luz, as técnicas dos astrônomos pode ajudar os oncologistas.

Estrelas, planetas, exoplanetas, asteroides, nebulosas, galáxias, buracos-negros… Não parece haver limites para os objetos estudados pela Astronomia. Mas no que isso nos ajuda no dia-a-dia? Embora pareça contra-intuitivo, pesquisar coisas de outro mundo pode melhorar o nosso mundo.

A observação milenar da Lua nos levou a compreender sua influência sobre as marés, permitindo navegações e pescas mais seguras. Sem os estudos e cálculos astronômicos sobre as órbitas, não saberíamos lançar os satélites que nos dão TV, internet e GPS. Quando passamos a analisar a composição da luz solar, descobrimos no Sol um elemento desconhecido — o Hélio — cujos usos vão desde os balões infantis aos sistemas de resfriamento das máquinas de ressonância magnética. Sendo assim, que impactos a Astronomia poderia ter no combate ao câncer?

A resposta está na luz. Graças às escalas e distâncias colossais, os astrônomos não têm acesso direto aos seus objetos de estudo. Se não podem “ver com as mãos”, eles vêem com os olhos mesmo: a base de praticamente toda pesquisa na Astronomia é o estudo e a análise da luz emitida por tudo que existe lá fora. E essa luz nem precisa ser visível: ondas de rádio e raios-x, provenientes de fenômenos extremos, têm muito a nos ensinar. Portanto, se qualquer tipo de luz for usado num tratamento oncológico, as técnicas usadas por um astrônomo podem ser úteis.

A luz que vem do espaço nem sempre é pura e cristalina: na maior parte dos casos, ela chega enfraquecida depois de atravessar nuvens de poeria cósmica. Essa travessia também pode levar a desvios nas frequências de luz, o que pode dificultar as análises dos astrônomos se isso não for levado em conta. Mas o que isso tem a ver com o desenvolvimento de tratamentos para o câncer? Tudo a ver, segundo o biocientista Charlie Jeynes e seu orientador, o professor de Astronomia Tim Harries (ambos da Universidade de Exeter). Ontem (03/07), no Encontro Anual de Astronomia promovido pela Royal Astronomical Society, Jaynes e Harries mostraram que as técnicas de análise da luz usada por astrônomos pode ajudar na luta contra os cânceres de pele e de mama.

No caso do câncer mamário, ele começa com o surgimento de minúsculos depósitos de cálcio nos seios. Esses depósitos podem ser detectados por meio luminoso, através de um desvio no comprimento da onda de luz. Os cientistas de Exeter perceberam que os códigos computacionais que usam para analisar a formação de estrelas e planetas — algo que ocorre num ambiente onde a luz também é difusa por pequenas partículas – poderiam ser aplicados à detecção das pedrinhas de cálcio nas mamas.

Em colaboração com o biomédico Nick Stone, também de Exeter, os dois pesquisadores estão refinando e adaptando seus modelos computacionais astronômicos para entender melhor como a luz detectada ao passar pelo corpo humano é afetada. Isso poderia resultar num diagnóstico rápido e não-invasivo à base de luz, o que tornaria biópsias desnecessárias e aceleraria o reconhecimento precoce de casos de câncer de mama. A equipe de Exeter está trabalhando com os clínicos de um hospital universitário para criar um programa-piloto e executar testes em humanos do sistema de detecção de inspiração astronômica.

Paralelamente, o grupo de pesquisa de Jaynes e Harries busca aplicar técnicas de investigação astronômica na luta contra o câncer de pele não-melanômico, um dos mais comuns na Inglaterra. Para isso, os cientistas estão usando outro modelo computacional para fazer um laboratório virtual que poderia ser usado no desenvolvimento de tratamentos de câncer de pele à base da luz. Pode parecer contra-intuitivo usar luz para combater um câncer muitas vezes causado por ela, mas é teoricamente possível por meio das terapias fotodinâmica (que usa drogas ativadas pela energia luminosa) e fototermal (na qual a luz aquece nanopartículas aplicadas ao tumor).

No caso fototermal, por exemplo, a simulação busca replicar o comportamento de nanopartículas de ouro numa pele virtual exposta à luz infra-vermelha próxima. Resultados preliminares indicam que após um segundo de irradiação dessa forma, a temperatura do tumor aumenta 3°.C. Em 10 minutos, a temperatura do mesmo tumor pode sofrer um aquecimento de até 20 graus acima de sua temperatura normal — o suficiente para matar suas células. Essas simulações da terapia fototermal foram testas com sucesso em ratos, mas o modelo ainda precisa ser refinado para que a tecnologia seja aplicada em humanos.

“Os avanços na ciência fundamental nunca deveriam ser vistos isoladamente”, disse Jeynes. “A Astronomia não é exceção e, embora seja impossível prever [seu impacto] a princípio, suas descobertas e técnicas costumam beneficiar a sociedade. Nosso trabalho é um grande exemplo disso e eu estou orgulhoso mesmo de estarmos ajudando nossos colegas da Medicina a lutar contra o câncer.”

[com informações da Royal Astronomical Society]

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Obviamente que depois de falar de um programa de TV no Quênia eu iria falar da nova séria da Globoplay Aruanas.

Foto: Fabio Rocha/Globo

Se você quiser um texto sem spoilers sugiro ler esse post do amigo Renato Guimarães que fala sobre a série e um pouco do contato que ele teve o programa enquanto trabalhava no Greenpeace. A série contou com parceria técnica da organização.

Aqui vai ter spoiler do primeiro episódio (que vi na estreia na TV Globo).

É uma série de ação, é um thriller, é denúncia (apesar de ser ficção), é muito bem produzida. E muito mais. Pra quem como eu se afastou das produções da globo por achar que são superficiais e subestimam a inteligência do espectador essa série me surpreendeu. Ok, também me afastei em geral da tv aberta por não conseguir ver tv com hora marcada, pra isso essa série está no Globoplay e pode ser vista a qualquer momento. De qualquer forma, estava curiosa pelo tom que seria dado num tema que pouco se vê na tv em geral.

Adorei o quão humanos são os personagens: a advogada fodona Veronica de caso com o marido da amiga, a jornalista Natalie colocando seu emprego em risco para falar de meio ambiente no seu programa de TV e tentando manter seu casamento, a ativista Luisa na Amazônia brigando com o ex-marido por conta do filho doente há kms de distância, o vilão dono de uma mineradora que cuida da neta deficiente e a estagiária jovenzinha que parece que fugiu de um relacionamento abusivo tentando lidar com isso pelo celular. Nem só de causas e propósito se vive o ativista, ele tem família, amigos, problemas pessoais como qualquer outra pessoa.

Só no primeiro episódio já tem cadáver no porta-malas do carro, traição, relacionamento abusivo, conflito familiar, ameaças… Achei bem pesado, sério e eletrizante. E não é meu tipo de entretenimento, não vejo suspense, não gosto de terror, já sou meio tensa por natureza e na hora de relaxar ver algo que me deixe mais tensa não é meu passatempo favorito. Acho que vou continuar assistindo a primeira temporada, mas se fosse uma sátira da vida de ativistas eu abraçaria bem mais fácil. Aliás, quantas séries norte-americanas já tivemos sobre a vida de médicos ou advogados? E dos mais variados gêneros, quem sabe não inauguramos um gênero temático: ativistas? Séries de comédias, drama ou ação de ativistas de diversas áreas pelo Brasil a fora? Seria lindo! Para os fanáticos por séries fica a pergunta, temos séries de ficção gringas sobre ativismo?

Achei que a produção de um programa falando de ativismo ambiental bastante ousado pela Globo, mas descobri que tem a co-produção (provavelmente dinheiro) da ativista herdeira do Itaú, a Maria Lucia Vilela. Com um peso desses por trás acho que fica mais fácil o tema entrar na programação da maior emissora de TV do país, né? Nunca pensei que falaria isso, mas ainda bem que a Maria Lucia Vilela existe e resolveu apoiar esse tipo de produção, quase consigo ter esperança no mundo.

E meu sonho de levar o tema meio ambiente, sustentabilidade, conservação para o entretenimento está se realizando!

Se você quiser saber mais sobre os bastidores da produção da série você encontra aqui, o vídeo conta alguns dos cuidados durante a produção e depoimentos dos diretores, criadores, figurinista e atores, gostei bastante.

P.S.: Fiquei triste que não recebi nenhum release do lançamento, ok Globo que e sou uma blogueira sazonal e os blogs estão em baixa, mas eu ainda tô aqui e adoro quando o tema é retratado para fora da bolha.

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Você já ouviu falar de antidepressivos, tais como a Fluoxetina ou a Sertralina? Muita gente tem usado esse tipo de medicamento e hoje veremos um pouco sobre o que eles são e como podem te afetar. Você pode ver o vídeo de hoje abaixo ou clicando aqui.

O que são antidepressivos? - YouTube

Watch this video on YouTube.

Aqui vai uma prévia do começo do vídeo: antidepressivos são medicamentos muito utilizados no tratamento da depressão, mas, sob certas condições, também podem auxiliar no tratamento de outras condições envolvendo dificuldades com ansiedade, insônia e dor crônica, por exemplo. Existem diferentes grupos de antidepressivos, tais como os tricíclios, tetracíclicos, inibidores da monoaminoxidase, inibidores seletivos da recaptação de norepinefrina, dopamina ou serotonina. As pesquisas existentes indicam que todos tendem a possuir uma eficácia semelhante. As principais diferenças são a maneira como cada um afeta o cérebro e os efeitos colaterais que cada um pode causar. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina são os mais usados atualmente, tais como a Fluoxetina, a Sertralina e o Citalopram. A grande vantagem deles é que tendem a causar menos efeitos colaterais em muitas pessoas.

Referências recomendadas

Vou incluir aqui várias referências sobre medicamentos psiquiátricos e antidepressivos que são bem recomendáveis para quem se interessa mais por esse assuntos: link, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link.

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aluir (a.lu.ir)
1. v.t. tornar mole a base sólida sobre qual algo se assenta; amolecer, corroer, erodir. 2. v. t. e int. causar desmoronamento; abater, desabar, ruir. 3. v. int. movimentar algo que é imóvel; abalar. aluimento, s.m. ato de desfazer uma base; solapamento, desmoronamento, erosão. [do lat. alluo, alluere = molhar, banhar, regar (e, por extensão, infiltrar água no solo ou sob um alicerce)]
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Hoje, minha bolsa de divulgação científica do CNPq chega ao fim. Ela tinha duração de um ano. Fecho meu ciclo de dez anos de divulgação científica, mais abaixo no texto explico o porquê, com a sensação de dever cumprido. Feliz pela oportunidade, pelo reconhecimento, pelo resultado! Meu trabalho era gerenciar as redes sociais da instituição como o Instagram, o Facebook e o Twitter, este de maneira mais compartilhada com os outros comunicadores. Uma honra! Algo que fiz com muita dedicação, amor e estudo, acima de tudo.

Para fazer jus à organização, estudei muito durante esses doze meses. Li livro ainda nem publicado em português e autores do mundo todo. Eu precisava ser muito boa para chegar um pouco ao patamar de uma das principais instituições brasileiras que financia a pesquisa por aqui. E todo o conhecimento adquirido eu procurava aplicar. Estudei comportamento de internautas, os tal dos obscuros algoritmos das redes sociais, as tendências de internet, análise do discurso, semiótica. A divulgação científica eu trouxe na bagagem.

Desenhei e executei uma estratégia de marketing digital focada em redes sociais de maneira orgânica – sem investimento em publicidade. Em meses, o CNPq passou de a não existência no Instagram para 35 mil seguidores. No Facebook, de 0 até 20 mil. No Twitter, ganhou quase 10 mil e manteve os mais de 60 mil que já tinha. Além desse tipo de alcance, publicações nas redes sociais dele pautaram a mídia. Pessoas se engajaram com o órgão. Se sentiram mais próximas dele.

O CNPq também foi para o Spotify com programas de rádios excelentes feitos por dois colegas. Ganhou o olhar de outros dois jornalistas maravilhosos, um da área escrita e outro de vídeo. Muita bagagem e riqueza foi trocada entre os cinco bolsistas de divulgação científica e o incrível time de comunicação do órgão. Um verdadeiro trabalho em equipe feito por pessoas que amam a ciência. Tínhamos reunião de pauta semanal, conversávamos durante os outros dias sobre os temas que abordaria, trocamos informação e conhecimento. Éramos uma afinada equipe.

O começo na prática foi neste blog
E a bolsa do CNPq consegui em uma época muito difícil na minha vida. Sabe quando a roda-gigante gira para baixo? Era neste lugar em que eu me sentia estar. Trabalhava como freelancer, acabava de mudar para um outro local devido a problemas pessoais, procurava um novo caminho profissional. E o novo eu encontrei em uma antiga paixão: a ciência. Sinto que toda vez que retorno à divulgação científica e seus afins, a roda gira de novo. E para cima.

Após voltar a ela, cobri um querido repórter na Folha de S.Paulo no caderno Ciência, passei madrugadas atualizando o Currículo Lattes para me candidatar à bolsa do CNPq – mesmo sem ter mestrado e doutorado, dois requisitos de peso neste tipo de concurso -, dei um TEDx para mil pessoas falando sobre minha paixão: a divulgação científica. Também trabalhei no amado Pacto pela Democracia, onde descobri uma paixão que nem sabia sua força dentro de mim, a política.

Exatos dez anos depois que comecei meu blog Xis-xis, o local onde depositei minhas ânsias e esperanças em trabalhar falando sobre a ciência e o meio ambiente, consegui a primeira bolsa do CNPq especialmente voltada à divulgação científica. E ainda para trabalhar no meu querido ambiente online.

Neste caso especificamente, obrigada aos meus colegas da área de divulgação científica há anos cada um trabalhando pela mesma causa, aos meus colegas de bolsa, à maravilhosa equipe do CNPq – eles são incríveis – e ao CNPq pela oportunidade. Espero ter cumprido com o meu papel da maneira como todas e todos vocês e à nossa população merecem. Fecho este ciclo de dez anos de divulgação científica com o sentimento de dever cumprido. Com o sonho realizado. Sou apenas gratidão. <3

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Armas de fogo e violência: existe alguma relação entre elas? Quando as pessoas estão mais armadas ficam com mais medo de sacanear umas às outras e agem de forma menos violenta ou atiram mais umas nas outras? Hoje vamos discutir o que várias pesquisas científicas levam a crer sobre isso. Você pode ver o vídeo de hoje abaixo ou clicando aqui.

Armas de fogo diminuem ou aumentam a violência? - YouTube

Watch this video on YouTube.

Aqui vai um trecho do início do vídeo: Armas de fogo são apenas um dos diversos aspectos da sociedade e da sua vida que são diretamente afetados pelas políticas governamentais. O curso de políticas públicas do Professor Ricardo Caldas facilita com que toda pessoa interessada possa partcipar ativamente destas decisões. Acesse o link na descrição e saiba como você pode participar da democracia além do voto! Existem vários tipos de armas, mas hoje vamos falar das armas de fogo. Elas são qualquer dispositivo capaz de lançar projéteis em altíssimas velocidades depois que ocorre a queima de um propelente como a pólvora dentro da arma. Essa queima provoca uma rápida expansão de gases no interior da arma e isso resulta no disparo da munição. Como essas armas podem ser altamente letais, muitos governos impõem regras de como elas podem ser usadas pela população. No caso do Brasil, o governo pode conceder a posse ou o porte de armas. A posse permite que uma pessoa adquira uma arma de fogo para mantê-la em sua casa ou local de trabalho. Já o porte de arma permite que a pessoa ande com a arma por ai.

Referências recomendadas

Talvez esse seja o vídeo mais referências por detrás que já fizemos aqui no canal! Muito artigo sobre violência, suicídio, armas de fogo e por ai vai! Se você tem interesse nesse assunto, aqui vai uma grande quantidade de coisas para ler: link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link, link, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, linklink, link, link, link.

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A construção de uma central atômica leva tempo e exige muito dinheiro. Em alguns casos, falta uma coisa ou outra e a obra acaba sendo deixada de lado. Fatores políticos, sociais e técnicos também podem levar ao abortamento de um projeto de geração de energia a base de reatores nucleares. Aqui, apresentamos sete casos em que isso aconteceu.

7) Usina Nuclear de Montalto di Castro (Itália)

Central Eletronuclear de Montalto di Castro (esq.): embora a usina atômica tenha sido cancelada, suas instalações foram adaptadas para se tornar uma termelétrica (dir.)

Politicamente, o maior impacto do acidente nuclear de Tchernóbil* foi sentido na Itália. O país vinha desenvolvendo o uso civil da energia atômica desde os anos 1960. Nos anos 1980, quatro usinas nucleares (UNs) estavam em operação: Caorso, Enrico Fermi, Garigliano e Latina. A quinta usina começou a ser construída em 1982, em Montalto di Castro com dois reatores do tipo BWR de 1000 MW cada. Em 1987, durante uma crise política, o governo italiano decidiu realizar um referendo sobre o uso de energia atômica no país após o acidente de Tchernóbil. O referendo nuclear italiano, o primeiro do país após a II Guerra, fez três perguntas aos eleitores: a primeira sobre a retirada de poderes do Comitê de Programação Econômica, órgão que podia decidir a localização das usinas passando por cima das autoridades locais; a segunda abolia as subvenções dadas aos territórios onde seriam construídas novas usina (não só as nucleares, mas também as de carvão) e a terceira barrava a ENEL (estatal de energia da Itália) de participar da construção e gerenciamento de projetos nucleares fora do país.

Cada item foi aprovado por 70 a 80% dos eleitores (o comparecimento às urnas foi elevado, com 65% de participação num país onde o voto não é obrigatório). Na prática, a votação deu fim à indústria nuclear italiana, tanto pública quanto privada. Consequentemente, Montalto di Castro foi fechada em 1988, às vésperas de ser ativada. Nos anos 1990, as demais usinas nucleares italianas foram sendo desativadas aos poucos. Em 2008, houve planos para a construção de novas UNs na Itália, mas eles foram engavetados depois da crise econômica e sobretudo após o acidente nuclear de Fukushima em 2011. Montalto di Castro não foi inteiramente abandonada: parte do complexo foi transformado na Usina Termelétrica Alessandro Volta, atualmente a maior do país.

6) Estação de Energia Atômica da Crimeia (Ucrânia)

Estação de Energia Atômica da Crimeia: até o guindaste foi deixado pra trás em 1989 e a obra caiu num verdadeiro limbo jurídico

Situada à beira do Lago Aqtas, na Crimeia, essa usina nuclear começou a ser construída pela então União Soviética em 1976. Como em outros empreendimentos do tipo naquele país, a usina deu origem a uma cidade para abrigar os trabalhadores envolvidos na obra: Shcholkine, inaugurada em 1978. Quando houve o desastre de Tchernóbil, essa UN ainda estava em construção. A obra foi inspecionada rigorosamente e os técnicos descobriram que o terreno era geologicamente instável. Assim, a construção foi interrompida em 1989, às vésperas do colapso da URSS.

Desde então, esse complexo caiu num limbo. Nos anos 1990, o local chegou a sediar, clandestinamente, um festival de música eletrônica (adequadamente apelidado de Reaktor) e esteve sob jurisdição do Ministério dos Combustíveis Ucranianos entre 1998 e 2004. Repassado ao governo regional da Crimeia em 2005, o local teria sido vendido para uma empresa não-revelada. Com a invasão da Crimeia pela Rússia em 2014, a situação tornou-se ainda mais nebulosa — mas tudo indica que não há planos para a conclusão das obras.

5) Usina Nuclear de Lemóniz (Espanha)

Lemóniz: construída em área separatista, teve as obras suspensas por bombas, sequestro de um engenheiro e mortes de operários e uma ativista anti-nuclear.

Escolher o local para construir uma central atômica é uma etapa crucial — e não apenas por motivos técnicos. Foi justamente nisso que o governo espanhol errou feio. No fim dos anos 1970 a Espanha demonstrava interesse na construção de usina nucleares. Um dos locais escolhidos pra isso foi Lemóniz, na Província de Biscaia. Isso não seria problema do ponto de vista técnico, mas virou uma dor de cabeça sócio-política: Biscaia faz parte do País Basco, região separatista situada entre o norte da Espanha e o sul da França. Assim, desde o começo, essa U.N. enfrentou forte oposição da população local, do nascente movimento ambientalista e até do ETA, o braço armado do separatismo basco. Em dezembro de 1977, o ETA atacou um guarda da obra e, quatro meses mais tarde, conseguiu plantar uma bomba no canteiro de obras do futuro reator, matando dois operários e ferindo outros dois.

Em junho de 1979, mais mortes: a ativista anti-nuclear Gladys del Estal foi morta pela polícia durante uma manifestação e outra bomba foi detonada na obra pelo ETA, dessa vez na área das turbinas, matando outro operário. Apesar das mortes e dos danos materiais, a obra continuou. Assim, em janeiro de 1981, o ETA decidiu sequestrar o engenheiro-chefe de Lemoniz, José Maria Ryan. Mesmo com a oposição à obra, muita gente achou que o sequestro foi um exagero — sobretudo depois que Ryan foi morto, uma semana mais tarde.

O resultado foi a primeira grande manifestação anti-ETA e uma virada política. Em 1982 a obra foi suspensa por motivos de segurança e seria definitivamente abandonada dois anos mais tarde, quando os socialistas ganharam a eleição e anunciaram uma moratória nuclear. Embora estivesse quase pronta para funcionar àquela altura, Lemóniz acabou abandonada de uma vez por todas. Atualmente, a Espanha conta com seis estações atômicas ativas e uma desativada.

4) Usina Nuclear de Marble Hill (EUA)

Marble Hill em 2004: erros na execução da obra, problemas de financiamento e pressão popular levaram ao abandono do empreendimento, que vem sendo demolido desde 2008.

Pioneiros no desenvolvimento da energia nuclear (tanto para fins bélicos quanto para geração de energia), era de se esperar que os EUA não tivessem dificuldade para completar uma usina atômica. Só que, às vezes, até no país mais rico do mundo falta dinheiro e uma obra pública fica inacabada. Foi o que aconteceu com a U. N. de Marble Hill, situada perto de Hanover, Indiana. A construção da unidade — que teria dois reatores de água pressurizada, com 1130 MW cada — foi iniciada em 1977 pela Public Service Company of Indiana (PSI), estatal de infra-estrutura daquele Estado.

Porém, depois de sete anos e 2,5 bilhões de dólares, a obra foi abandonada quando o primeiro reator estava quase pronto. Dois fatores pesaram no cancelamento de Marble Hill: o acidente nuclear de Three Mile Island (1979), que levantou desconfiança numa obra que já tinha oposição da comunidade local e, principalmente, a falta de recursos. Problemas na execução da obra também causaram atrasos e aumento dos custos. A pressão popular fez o governo estadual de Indiana reduzir verbas até a obra tornar-se insustentável. Assim, em 1984 a PSI anunciou a desistência da conclusão da usina e, no ano seguinte, leiloou equipamentos já adquiridos, levantando meros 8 milhões de dólares. O complexo foi comprado mais tarde por uma empresa de Michigan e, desde 2008, está sendo lentamente demolido.

3) Usina Nuclear de Stendal (Alemanha)

Stendal em 2007: a céu aberto, a estrutura que abrigaria o reator começa a enferrujar.

Parar uma obra por falta de dinheiro é trivial perto do que aconteceu com Stendal, onde o que acabou foi o país. Projetada para abrigar quatro reatores de 1000 MW cada, essa usina seria não apenas a maior da Alemanha Oriental, mas de todo o território germânico. A construção das unidades 1 e 2 começou em 1983, perto da cidade de Arneburg. As outras duas unidades estavam em planejamento quando o muro de Berlim caiu, em 1989.

A reunificação alemã tornou o plano política e economicamente inviável: apesar de aperfeiçoados por técnicos alemães, os reatores eram de origem soviética (e a própria URSS já estava cambaleando àquela altura). Assim, com 85% do reator 1 finalizado e 15% do reator 2, a obra foi interrompida bruscamente. A construção — que seria semelhante à U.N. de Temelin (Rep. Checa) — jamais foi retomada e suas torres de resfriamento foram demolidas com explosivos em 1994 e 1999. Atualmente, pouco resta da usina e seu terreno virou uma área industrial isolada.

2) Usina Nuclear de Juraguá (Cuba)

Juraguá: os soviéticos cederiam a tecnologia nuclear e os cubanos, materiais de construção e mão-de-obra. Só que a URSS acabou antes da obra, que ficou pela metade.

O colapso soviético também prejudicou um empreendimento nuclear do outro lado do Atlântico, mais especificamente no mar do Caribe. O interesse de Cuba pela energia nuclear antecede a Revolução: em 1956, o país assinou um acordo de cooperação sobre energia atômica com os EUA. Mesmo com a Revolução de 1959, o tratado permaneceu de pé e só foi anulado durante a Crise dos Mísseis em 1962. Cinco anos mais tarde, a União Soviética concordou em ceder um reator experimental de pesquisa para os cubanos. Em 1975, os dois países assinaram amplos tratados para o desenvolvimento de usinas nucleares na ilha. Havia planos para a construção de 12 reatores no leste e oeste da ilha, mas no fim o que saiu do papel foram só os dois reatores de 440 MW que começaram a ser construídos em Juraguá em 1983 e 1985.

Quando a obra fosse concluída, em meados dos anos 1990, cobriria 15% da demanda cubana de eletricidade e seria duplamente inédita: seria o primeiro reator soviético no hemisfério ocidental e o primeiro a ser implantado em uma zona tropical. O acordo era simples: a URSS entraria com os equipamentos nucleares e geradores e os cubanos forneceriam matéria-prima e mão-de-obra. Entretanto, com o colapso da URSS, a coisa desandou a partir dos anos 90, quando a primeira unidade estava aproximadamente 90% completa (37% do reator em si já instalado). A partir daí, a Rússia passou a fazer exigências financeiras para completar a obra, que estavam além das condições de Cuba.

Assim, em setembro de 1992, Fidel Castro anunciou a suspensão das obras, que jamais foram retomadas. Nos anos seguintes, o governo russo tentou fechar um novo acordo com Havana e alguma empresa especializada ocidental, mas o embargo americano inviabilizou as negociações — a usina sempre foi mal-vista pelos EUA, que temiam uma Tchernóbil Cubana. A última tentativa de retomar a obra foi feita por Vladimir Putin durante uma visita a Cuba em 2000, mas Castro recusou definitivamente, alegando que Cuba passaria a investir em energias alternativas.

1) Usina Nuclear de Tchernóbil (Ucrânia)

Situado a 1 quilômetro do resto da central, este local abrigaria os reatores 5 e 6 da Usina Nuclear de Tchernóbil e foi abandonado em 1989.

Pode parecer óbvio incluir Tchernóbil no fim desta lista, mas existem bons motivos. Além do mais evidente, o abandono em consequência do acidente nuclear que explodiu o reator 4 em 26 de abril de 1986, existem quatro razões para considerar essa central atômica inacabada: 5, 6, 7 e 8. Quando o acidente aconteceu, Tchernóbil estava em operação mas não inteiramente concluída. Havia planos para a construção de mais quatro reatores num terreno a um quilômetro da usina principal. O complexo começou a ser construído em 1970 e o primeiro reator foi ativado em 1977; o segundo, em 1978, o terceiro, em 1981 e o quarto, em 1983.

A construção dos reatores 5 e 6 estava bastante avançada, sendo que a quinta unidade tinha inauguração prevista para 7 de novembro de 1986. Após o desastre nuclear, as obras de expansão de Tchernóbil foram suspensas e seriam definitivamente abandonadas em abril de 1989, pouco antes do terceiro aniversário da tragédia. Embora os reatores 5 e 6 tenham ficado inacabados (os outros dois nem chegaram a sair do papel), os de número 1 e 3 ainda continuaram em operação por vários anos. O reator 2 foi desativado em 1991, após um incêndio numa turbina (sem vazamento de material nuclear).

Tchernóbil só seria desligada definitivamente entre 1995 e 2000, quando foram desativados os reatores que ainda funcionavam. Com exceção do número 4, contido num sarcófago e mais recentemente num arco de confinamento, os demais reatores de Tchernóbil vêm sendo desmantelados como qualquer outro: a desmontagem completa do reator 1 deve terminar entre 2020 e 2022, com os demais nos anos subsequentes.

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  • Nota de tradução: Embora a forma Chernobyl esteja consagrada como transcrição de Чорнобиль na maioria das línguas ocidentais, adotamos aqui a versão usada pela tradutora Sonia Branco em Vozes de Tchernóbil, de Svetlana Alexiévich (Cia das Letras, 2015). Além de diferente, consideramos Tchernóbil mais correta em relação à fonética do nome original.

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