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Brazil Journal by Marina Cigarini E Joana Carluccio - 1d ago

Qualquer um que tenha recebido propaganda não solicitada e irrelevante conhece aquela sensação de parecer um completo estranho para sua marca favorita. Essa é uma das principais causas que levam as pessoas a perder o engajamento com as empresas. 

Por outro lado, uma comunicação personalizada e direcionada cria fidelidade duradoura com o cliente. Estudos da McKinsey mostram que oferecer valor genuíno em um anúncio online pode impulsionar o crescimento das receitas em até 30%.

Imagine receber um e-mail mostrando que um sapato do seu número voltou a estar disponível no estoque de uma loja na qual você vinha pesquisando aquele produto. Ou receber um push do aplicativo de uma cafeteria mostrando que a sua bebida favorita está em promoção numa loja próxima.

Nossas pesquisas apontam que os consumidores querem exatamente isso. Quase 80% deles dizem que a personalização é importante. Mas somente 15% dos CMOs acreditam que suas companhias estejam no caminho certo da personalização.

Para muitas empresas, a personalização em escala ainda é um mistério.

Em um estudo recente que fizemos com 79 companhias brasileiras, constatamos que 58% delas ainda se encontram em níveis iniciais de maturidade quanto ao uso de dados. Isso significa que elas não contam com estruturas de integração entre os seus sistemas de coleta de informações dos consumidores, por exemplo, e que muitas das suas decisões não são apoiadas nessas evidências.

Entender a importância dos dados e da sua análise é a principal maneira de começar qualquer tentativa de personalização. Não é preciso ter um enorme banco com inúmeros dados para dar o primeiro passo – é possível começar pelo que a empresa já tem mapeado.

Usando informações de bases de dados já existentes de uma grande empresa brasileira, reduzimos em quase 15% a perda de receita devido ao cancelamento de clientes.

Em outra situação, aumentamos as taxas de conversão em vendas cruzadas em 60%, alavancando modelos analíticos que permitiam identificar o público com maior assertividade e, com isso, recomendar as melhores ofertas.

Você pode começar esse trabalho com informações básicas sobre o comportamento passado daquele cliente; não é preciso comprar novos dados ou investir em criar plataformas tecnológicas sofisticadas. Informações demográficas como histórico de transações, detalhes de produtos e talvez dados da web também ajudam a obter uma compreensão preliminar do consumidor. 

Naturalmente, as empresas que se esforçam para obter a plataforma completa de dados do cliente, com uma visão 360 graus do consumidor, conseguem os melhores resultados. Mas não fique na dependência da perfeição.

Os consumidores esperam cada vez mais que as empresas com que se relacionam  entendam seus desejos e conectem suas comunicações nos diferentes canais, oferecendo valor real.

Não há dúvida de que fazer marketing personalizado eficaz em grande escala é um desafio considerável para as organizações.  Além da tecnologia, exige uma nova mentalidade que permita a colaboração entre diferentes áreas da companhia, como operações, marketing digital, marketing tradicional, área comercial, e de analytics.

Os resultados desse esforço, porém, são notáveis. Nossa pesquisa e experiência mostram que a personalização, totalmente implementada, pode gerar um valor significativo de curto prazo para as empresas - como um marketing até 20% mais eficiente (o que representa aumento de receita e economia de custos), além de aumentar em até 30% a fidelização dos seus clientes.


Marina Cigarini é sócia sênior da McKinsey e lidera Advanced Analytics na América Latina; Joana Carluccio é sócia da McKinsey e lidera Digital Marketing no Brasil.

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Brazil Journal by Caio Augusto De Oliveira - 2d ago
Caro Ciro,

Parabéns por sua atitude firme diante da evidente “traição” de Tábata Amaral e demais parlamentares ao ideário do PDT.  Deve ser exatamente para isso que serve um partido político: ou se está com ele, ou necessariamente contra ele. A liberdade de pensamento é um luxo que a luta de classes não pode comprar.

Comemore uma conquista importante: assim como Lula, você aos poucos vai conseguindo se transformar no partido que representa. O PDT será Ciro, Ciro será o PDT.  Ou concorda com o Ciro, ou passa pelo conselho de ética e sai. 

Apesar de todas as suas críticas a Lula, vocês muito se parecem quando o assunto envolve renovação partidária – ela praticamente inexiste fora de suas figuras pessoais.

Faço aqui uma humilde previsão do que acontece após este momento. Partidos de centro-direita que cortejam parlamentares como Tábata acabarão por atrai-la. Pois é. Os maiores expoentes do que seria a renovação da esquerda brasileira acabarão se juntando ao que há de mais tradicional e horrendo na política (segundo sua visão).

O senhor provavelmente deve achar que estou errado, que preciso estudar, que não tenho vivência política, etc. De fato, o senhor conhece muito mais dessa máquina de moer gente que eu. E é justamente por isso que surpreende que você tome a posição que tomou. 

A análise na comissão de ética no partido ocorrerá e, como já anunciado, a decisão deve sair em 60 dias. Assim, ainda há tempo de discutir se realmente há necessidade de expulsar membros do partido pelo voto em favor da reforma da Previdência (ou mesmo pela confirmação deste voto no segundo turno da reforma, em agosto).

Em todo caso, se seu objetivo é ser a única representação da esquerda (já que a que outra está presa até segunda ordem), digo que você conseguiu. Outro feito possível é ajudar a reeleição do atual Presidente (ou alguém que dele se aproxime) – já que suas ações como líder do PDT inviabilizam uma esquerda renovada.

Ciro, o Brasil está mudando.  A esquerda também tem que mudar, e alguns já acordaram para isso. Seja um líder do futuro, e não um profeta do passado. De dogmatismo, o Brasil já está cheio.

Caio.
 
 
Caio Augusto de Oliveira é editor do Terraço Econômico, onde uma primeira versão deste artigo foi publicada originalmente.
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BRASÍLIA — “Vamo lá, falta apenas um tempo de jogo, tá certo? Eu sei que tá todo mundo cansado, mas todo mundo quer ganhar. Agora é mão no peito e cabeçada no queixo, e vamos passar por cima igual a um trem. E vamos ganhar. Pode falar pra todo mundo.”

A mensagem de áudio bateu no celular de um seleto grupo de deputados em Brasília pouco depois das 6h de sexta-feira, 12 de julho, quando ainda se tentava estimular o Congresso a terminar o segundo turno da votação da reforma da Previdência. O dono da voz inconfundível era o deputado Alexandre Frota, que, por sua militância aguerrida em prol da reforma, já havia se tornado nome de grupo no Whatsapp.

“Coach Frota”, o grupo que inclui parlamentares do PSL, do centrão, e integrantes da linha de frente da equipe econômica na batalha pela aprovação das novas regras previdenciárias, recebia na reta final da tramitação do texto na Câmara áudios motivacionais diários do deputado. 

O ex-ator — que fez 12 novelas, além de filmes pornô, antes de ser eleito deputado por São Paulo com o discurso anticorrupção — está se revelando uma grata surpresa da política nacional: uma voz independente numa política cada vez mais sectária, um polo de moderação num Congresso de extremos.

Frota foi um dos principais avatares no jogo de forças da Câmara no primeiro semestre de 2019.

O protagonismo — e a relação com o ministro da Economia, Paulo Guedes — começou logo depois da fatídica sessão da Comissão de Constituição e Justiça em que Guedes foi alvejado por deputados de esquerda e abandonou a sala ao ser chamado de “tchutchuca” por Zeca Dirceu (PT-PR). 

A sessão foi tão confusa que o deputado de 1,88m e 120 quilos, foi escalado pelo PSL para ser uma espécie de guardacostas do ministro e organizar todas as suas idas à Câmara desde então.

“Organizei de forma militarizada”, disse Frota em uma das conversas com o Brazil Journal ao longo dos últimos dias, relatando como acabou sendo alçado ao posto de coordenador da bancada de seu partido no tema da Previdência. 

Frota se certificava  que o PSL e a base pró-reforma chegassem cedo para ocupar as primeiras fileiras do auditório e se inscrevessem para falar antes da oposição. A estratégia fez sucesso com o ministro.

“Passamos (Guedes e eu) a falar quase diariamente no celular. Ele me passava diretrizes, enviava textos, tirava dúvidas,” conta Frota. 

Num áudio gravado por Guedes, o ministro diz que o deputado ajudou a mudar a estratégia de comunicação da reforma da previdência, sugerindo trocar o termo ‘capitalização’ por ‘poupança garantida’, no que foi acatado.

Na época desta sessão na CCJ, início de abril, a rotina do deputado já lembrava a de um soldado no quartel. Desde fevereiro, quando tomou posse, Frota ficava em Brasília de segunda a sexta. Assim como Guedes, escolheu um hotel para morar. Acordava por volta das 4h30, fazia uma caminhada de 40 minutos, tomava café enquanto via um canal de notícias e já começava a disparar mensagens no Whatsapp. 

Chegava antes das 8h na Câmara, às 10h tinha aulas sobre o regimento da Câmara e assuntos econômicos com assessores do PSL e outras pessoas que, segundo ele, Guedes enviava para pautá-lo sobre os temas espinhosos da agenda.  

Almoçava cedo, por volta das 11h30, e partia no início da tarde para as comissões. Ele é membro permanente da Comissão de Cultura, mas se diz decepcionado com o andamento da área. A experiência tem servido para se aproximar de colegas da esquerda, que elogia pela coerência.

“Se a gente não abrir diálogo, fica difícil. Mas tem uns que não dá para engolir,” diz ele, citando a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Para a líder do governo na Câmara, Joice Hasselmann, com quem Frota se atritou durante a campanha de 2018, o ex-ator hoje é um grande aliado.

“Eu quero tê-lo sempre ao meu lado. Também não é muito inteligente tê-lo como inimigo não, porque quando ele vai para cima, ele vai pra guerra, ele vai para vencer”, diz ela, em um áudio gravado a pedido do deputado.

A relação entre os dois melhorou tanto que Joice é hoje a candidata de Frota à Prefeitura de São Paulo em 2020.
 
“O Eduardo (Bolsonaro) quer o (apresentador de TV José Luiz) Datena, mas ela é minha candidata”, diz ele.

O entusiasmo de treinador e a facilidade para se relacionar, apesar do estilo provocador, o ajudou a se tornar vice-líder do PSL, o que o colocou nas reuniões com políticos mais experientes, como os do Centrão -- que Frota prefere chamar de "os moderados".

“Exerço uma liderança nata, tenho independência. Amado por muitos, odiado por muitos, mas respeitado por todos.”

Passou a comparecer a reuniões na residência oficial do presidente da Câmara, onde acontecem as articulações e são traçadas as estratégias de votações. 

“Fui bem recebido na Câmara. Ouvi tanto do presidente da Câmara quanto do Senado que eu sou a pessoa, dentro do PSL, com quem se pode abrir diálogo”, relata.  

De crítico do presidente da Câmara, passou a defendê-lo.

“O passado do Rodrigo Maia não me interessa”, diz. 

“O pai (da reforma da Previdência) é o Paulo Guedes, mas essa reforma foi do Rodrigo Maia. Esta reforma só saiu porque nós fomos os articuladores,” diz, citando nominalmente como responsáveis pela tarefa, além de Maia, os líderes da Maioria, Agnaldo Ribeiro, do PMDB, Baleia Rossi, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, e o líder do PP, Arthur Lira, a quem chama de ‘Rei Arthur’.  

A relação de camaradagem é tanta que no auge da votação dos destaques do texto da Previdência, na noite de quinta-feira, 11 de julho, Frota passou exultante pelo líder da Maioria, Agnaldo Ribeiro, que falava com o Brazil Journal no plenário da Câmara, e cobrou: “Já votou, Agnaldo?”, arrancando uma risada do discreto deputado paraibano.  

“Sou um cara de ação, eu vou pra frente. Não uso meu mandato pra fazer uma vitrine para daqui a 4 anos. Eu hoje vivo um dia de cada vez, eu sofro um dia por vez. Não faço planos. Meu plano é o dia de amanhã”. 

A improvável transição de Alexandre Frota — de um nome do entretenimento adulto para legislador versado nos graves assuntos de Estado — talvez tenha a ver com uma outra travessia ainda mais difícil, mas igualmente bem sucedida: a superação dos 18 anos que passou como dependente químico. 

“Consegui sobreviver a um momento terrível”, diz ele, que hoje se dedica a projetos que ajudem pessoas na mesma situação.

Aos 55 anos, Frota vive uma fase pessoal boa. Neste sábado, batizou a filha de 5 meses. Está casado há 10 anos e tem um filho mais velho, Enzo, de 12 anos. Mora em São Paulo desde 91.

Começou a se envolver em manifestações em 2013, com o Vem Pra Rua. Passou pelo Revoltados Online e criou seu próprio movimento, bradando contra a corrupção e gravando vídeos com críticas ao ex-presidente Lula, ao governo Dilma e a favor do então juiz da Lava Jato em Curitiba, Sérgio Moro. Suas transmissões chegaram a atingir 15 milhões de visualizações. Rapidamente passou a receber convites para se filiar a partidos pequenos.

“Constatei que era o caminho certo, pessoas que já transitavam na política me viam como um bom candidato,” diz. 

Frota afirma que não ganhou “nem um real” do PSL para a campanha, gastou apenas R$ 10 mil para fazer santinhos e percorrer 35 mil quilômetros do Estado. Recebeu votos em 643 dos 645 municípios paulistas. Teve 155 mil votos, mais do que políticos tradicionais do Estado. 

Eleito na onda Bolsonaro, Frota se diz no direito de criticar o atual governo porque foi um dos maiores apoiadores do presidente. 

“As pessoas têm que entender que quando o Bolsonaro não era nada, eu estava lá gritando e brigando por ele,” diz o deputado, que apoiou a candidatura do ex-capitão desde 2014. 

Frota conta que organizou diversas viagens de Bolsonaro a São Paulo, levando-o a programas de TV e pedindo a seus “amigos de academia” para fazer a segurança do então candidato. 

O principal ataque é desferido no guru do bolsonarismo,  Olavo de Carvalho.

“O cara que mais atrapalha o governo Bolsonaro é esse ‘veinho maluquinho’, o Jim Jones brasileiro, charlatão. Hoje ele tem um governo paralelo, indicando ministros, fazendo chacota de deputados, agredindo verbalmente com a militância dele. Infelizmente, o Jair Bolsonaro tem deixado que isso aconteça,” diz Frota, alvo constante daqueles que chama dos ‘olavetes’. 

“(Bolsonaro) errou ao deixar o Olavo de Carvalho fazer este governo paralelo, errou com os filhos dele (que) emitem muitas opiniões que atrapalharam articulações do governo, toda esta encrenca com os militares que tem sido um tema que tem atrapalhado muito.”

Mesmo assim, diz que sua relação com Bolsonaro continua boa. 

“A gente vive momentos de amor e ódio entre os dois porque eu talvez seja muito parecido com ele, falo o que eu penso e às vezes eu sou aquele que fala para ele o que ele não quer ouvir.”

Frota vem sendo assediado por outros partidos. Diz que recebeu convite para ir para o DEM e mostra um áudio de João Dória chamando-o de “amigo Frota” e convidando-o para mudar para o PSDB.

“Ninguém acreditava que o Alexandre Frota pudesse entrar (na Câmara) e que depois o Alexandre Frota pudesse se tornar esse deputado destemido, ousado e que tem ganho as batalhas. Eu sei que tenho surpreendido. Não é questão de não ter humildade. Eu estou trabalhando pra isso,” diz o deputado.

Frota já traçou suas metas para os próximos meses. Vai ser o coordenador da bancada do PSL na comissão especial da reforma tributária. Além dos temas econômicos, trabalha com a deputada estadual Janaína Paschoal em um projeto para mulheres e ainda quer fazer algo para ajudar os dependentes químicos. 

“Eu tô aprendendo dia após dia. Diferente de outros, eu virei essa página do mundo artístico e hoje eu sou o Alexandre Frota se tornando e se construindo (como) político. Está sendo uma experiência incrível.” 

 

Na foto acima, Alexandre Frota entre os deputados Agnaldo Robeiro (à esquerda) e Arthur Lira (à direita).

 

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Na sexta-feira, 12 de julho, a Anheuser-Busch InBev (ABI) tinha uma má notícia para compartilhar.

O mercado de capitais não havia topado pagar o que a companhia queria por um pedaço de seu negócio na Ásia — uma subsidiária chamada Budweiser Brewing Company APAC, que comercializa as marcas da ABI na China, Índia, Austrália, Coréia do Sul e Vietnã.  

Com uma dívida de US$ 100 bilhões nas costas, a ABI queria levantar US$ 10 bilhões com o IPO da Ásia— acelerando a redução de sua dívida e podendo usar a ação da nova empresa listada como moeda para novas aquisições na própria Ásia.

Na sua seção de opinião, a Bloomberg chegou a manchetar: “Without an Asian IPO, it's hard to get very excited about AB InBev.”   Reagindo ao fracasso do IPO, o papel da ABI caiu 3,5%.

Colocado em córner pelo mercado, o CEO Carlos Brito tirou um coelho da cartola.  Um coelho gordo.

Em apenas sete dias, a ABI virou o tabuleiro:  tirou a Austrália do pacote da Ásia e vendeu a operação naquele país para um investidor estratégico (a Asahi, do Japão) por US$ 11,3 bilhões.  

A Asahi sempre foi o plano B da companhia, e a existência da oferta explica porque a ABI estava confiante ao cancelar o IPO. (O chefe de M&A da companhia, Lucas Lira, está praticamente morando em Hong Kong há meses, preparando o IPO e, sabe-se agora, o Plano B.)

O mercado aplaudiu de pé — a ação subiu 5,5%— e alguns shorts cobriram sua posição. 

Num tempo em que a 3G é assolada por problemas de todos os lados, o feito da semana passada não foi nada pequeno — e mostra que a ABI pode estar deslocada pelas craft beer, mas não perdeu o ‘mojo’ no M&A, o principal vetor da própria história da empresa.

A Austrália foi vendida por 14,9 vezes o EVBITDA de 2018, mais do que o múltiplo de 13x que a SAB Miller pagou quando comprou o ativo em 2011.

O negócio australiano era o maior gerador de caixa dentro da Budweiser APAC, era a operação com maior margem (43%) mas também o negócio mais maduro.

A transação reduz a dívida líquida da ABI — que estava em 4,6 vezes sua geração de caixa ao fim de 2018 — para 3,8 vezes, diluindo o lucro por ação em apenas 2%. (A meta da empresa era chegar a 4x só no final do ano que vem.)

“Considerando que a ação da ABI negocia com um desconto de 20% em relação a seus pares [no múltiplo preço/lucro], acreditamos que o impacto da desalavancagem no múltiplo mais do que compensa esse nível de diluição, particularmente considerando que atingir uma alavancagem menor que 4x EBITDA é um divisor de águas para muitos investidores,”  disseram analistas do Credit Suisse.

Agora, a ABI pode voltar ao mercado com o IPO, mas a partir de uma posição negocial mais forte.  Se antes ela era vista como um ‘vendedor desesperado’,  agora Brito é o cara que já levantou US$ 11 bi e não está com pressa.

A ABI queria vender a Budweiser a um múltiplo entre 18 e 22 vezes o EBITDA de 2020.  Assumindo o meio da faixa (20x) e excluindo a Australia, a APAC valeria US$ 47 bilhões, segundo cálculos do Credit Suisse.

Para o banco, assumindo que a ABI venda 10% da empresa no IPO, isso desalavancaria seu balanço em mais 0,2x e faria o múltiplo dívida líquida/EBITDA do ano encostar em 3x no final de 2020. 

O problema é que o múltiplo almejado pela Budweiser APAC ainda parece alto.  Um múltiplo de 20x EBITDA implicaria um múltiplo preço-lucro de 35, o dobro do múltiplo da ABI — ainda que o negócio asiático, agora sem a Austrália e com um maior componente de China, seja a própria definição de ‘growth stock’. Caberá ao mercado dizer  se topa pagar por esse crescimento.

PS: Para o bem ou para o mal, a ABI vai ser notícia outra vez essa semana, quando reportar seus resultados do segundo trimestre na quinta-feira.

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Brazil Journal by Mariana Barbosa - 3d ago

Depois de anos de promessas de modernização do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a fila finalmente vai andar. 

O INPI lançou no início do mês um plano para concluir o exame de 160 mil pedidos de patentes até 2021. São processos que foram depositados antes de 31 de dezembro de 2016 e que há anos estão parados nos escaninhos da repartição. 

O plano prevê ainda a redução do prazo médio de concessão de novas patentes para dois anos – hoje, é comum a análise demorar 10-12 anos.

O engenheiro Miguel Angel Aguirre cansou de esperar. Ele depositou um pedido de patente em 2008 para o processo de fabricação de uma barra de material composto para uso em concreto armado. Dez anos depois, com o processo andando a passo de tartaruga, ele desistiu. (Além dos custos com advogados para manter o processo ativo, a crise na construção civil fez desaparecer a oportunidade comercial.)

“Em algumas áreas, a tecnologia avança em velocidade galopante. Se o exame não acompanha, perde-se o interesse na proteção,” Flávia Murad, sócia do Mansur Murad Advogados, disse ao Brazil Journal. “Não bastam apenas programas de aceleração, tem de haver aumento de examinadores também.”

O choque de gestão no INPI teve início no Governo Temer, com algumas medidas de simplificação de procedimentos que resultaram em um aumento de produtividade dos examinadores. Até 2017, cada examinador analisava 200 processos. Ano passado essa marca subiu para 310.

Para reduzir o backlog anterior a 2017, os examinadores vão aproveitar o trabalho de pesquisa – a chamada busca de anterioridades – realizado por órgão de propriedade intelectual de outros países. 

Pela Convenção de Paris, os depósitos são feitos simultaneamente em diferentes países. Como os processos andam mais rápido lá fora, a ideia é aproveitar esse trabalho – ao invés de ter de começar o levantamento do zero localmente. 

Depois de mais de uma década privilegiando políticas que facilitam a quebra de patentes ao invés de protegê-las, o Brasil coleciona avanços. 

Em maio, o país finalmente aderiu ao Protocolo de Madri – tratado internacional que entrou em vigor em 1998 e que simplifica o processo de registro de marcas de empresas brasileiras no exterior.

“As novas regras para agilizar o exame de patentes são mais uma boa notícia para o investidor estrangeiro – que se soma à adesão ao protocolo de Madri e ao acordo Mercosul-UE,” diz Ivan Ahlert, sócio do Dannemann Siemsen Advogados. “É um grande avanço: durante muitos anos se dizia que o INPI estava combatendo a burocracia, mas na prática não fazia nada.” 

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A alta dos preços na Ponte Aérea com o fim das operações da Avianca produziu um efeito colateral bizarro: viajar de avião particular ficou relativamente acessível. 

A Avianca costumava fazer promoções de última hora – exatamente o oposto da dinâmica de precificação do setor, em que os bilhetes ficam mais caros com a proximidade do embarque.

Com um player a menos no mercado, hoje quem precisa voar no mesmo dia ou no dia seguinte dificilmente desembolsa menos de R$ 1 mil o trecho.

Mas em vez de decolar de Congonhas com LATAM ou Gol, alguns passageiros preferem o conforto de um King Air, o equipamento que a Flapper usa na sua ponte aérea. O trecho custa R$ 950, com tarifas e bagagem incluída — mas tem que topar descer em Jacarepaguá.

A Flapper costuma ser descrita como "o Uber da aviação executiva", mas o CEO Paul Malicki prefere chamá-la de uma “linha aérea butique”, ainda que a empresa não opere um só avião. 

A Flapper nasceu em 2016 como um marketplace para a aviação executiva: vendendo fretamentos para operadoras de táxi aéreo e também assentos unitários nas “empty legs”. (Os voos em que o piloto volta sozinho para a base depois de realizar um serviço.)

Na época, surgiram vários concorrentes, mas só a Flapper e a Voom seguem no jogo. (A CloudTaxi deixou de atualizar seu app em 2017.)

Com o tempo, a Flapper passou a vender assentos unitários em rotas pré-agendadas, assumindo para si o risco de vacância.  É o caso da ponte aérea ligando São Paulo à Barra da Tijuca – operada pela Uniair (táxi aéreo da Unimed), com voos ida e volta às sextas e às segundas, em um King Air B200GT (com capacidade para 7 lugares).

Há também voos entre São Paulo e Angra, saindo do Campo de Marte às sextas e aos domingos, a bordo de um Cessna Grand Caravan (9 lugares) operado pela Two Aviation. 

Na alta temporada, Paraty entra na rota dos voos compartilhados. E nos feriados, a oferta inclui destinos como Ilhabela e Jericoacoara. No último réveillon, foram 15 voos entre Fortaleza e Jeri. 

(A inteligência de dados gerada com o uso do app também rende receitas ancilares: é compartilhada com algumas empresas que estão investindo no desenvolvimento de VTOLs – vertical takeoff and landing – como solução de mobilidade urbana.)

O CEO da Flapper é um polonês que vive há cinco anos no Brasil, e o fundador e CTO, russo. Arthur Virzin veio para o Brasil ainda criança. É engenheiro, especializado em machine learning. 

Formado em administração e economia, Paul é o cara do marketing e do business. Veio para o Brasil para ser o CMO da EasyTaxi, depois de atuar como country manager da startup brasileira nas Filipinas. 

Foi convidado para olhar o business plan da Flapper – originalmente focado em fretamento de limousines – e gostou: entrou de anjo logo nos primeiros meses e ficou.

A Flapper já levantou R$ 3 milhões em seed money em uma rodada liderada pelo fundo Aerotec, especializado em startups do setor aeroespacial e administrado pela gestora mineira Confrapar.

Agora, a empresa está em meio a uma rodada Série A.  Paul não revela quanto pretende captar, mas diz que já assegurou 50% com VCs brasileiros. “O resto vai ser fora do Brasil pois é um desafio muito grande captar aqui.”

A nova rodada deve financiar a expansão da empresa para a América Latina – além de investimentos em tecnologia.

Até o fim do ano, a Flapper vai introduzir mais uma modalidade de voo: o fretamento com assento e risco compartilhado. Qualquer pessoa vai poder abrir um voo no sistema – assumindo o risco se a demanda não se concretizar. “O cliente vai poder escolher o tamanho do risco que quer tomar: até quanto ele está disposto a pagar para o voo ser realizado.“

Hoje a Flapper transporta cerca de 500 passageiros/mês. Paul diz que a receita bruta dobrou no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado – e está a caminho de atingir R$ 1 milhão/mês. “Ainda demora pra atingir o breakeven.”

A crise da Avianca fez a procura pela rota CGH-JCP aumentar 80%. E, com o fechamento previsto para o Santos Dumont no segundo semestre, a empresa deve adicionar vôos às terças e quintas a partir de setembro.

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A Hapvida acaba de comprar a RN Saúde, uma operadora com 51 mil vidas que opera em Uberaba e cidades vizinhas, duas fontes disseram ao Brazil Journal.

A companhia pagou cerca de R$ 50 milhões por 75% da RN, colocando um pé no Triângulo Mineiro. 

A aquisição — a terceira da Hapvida desde maio — complementa o cluster geográfico que a família Pinheiro começou a construir no Sudeste com a compra do Grupo São Francisco, de Ribeirão Preto.

No mês passado, a Hapvida pagou R$ 426 milhões pelo Grupo América, de Goiás. 

A Hapvida está no meio de uma oferta para levantar cerca de R$ 2,5 bilhões para financiar sua estratégia de aquisições.

 

ARQUIVO BJ

Hapvida compra grupo São Francisco por R$ 5 bi

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O N26, o banco digital alemão que deve entrar em breve no Brasil, acaba de levantar mais US$ 170 milhões com seus atuais acionistas.

A rodada, que avaliou a fintech em US$ 3,5 bilhões, teve a participação da chinesa Tencent, do GIC — o fundo soberano de Singapura — e da Valar Ventures, a gestora de Peter Thiel.


A nova injeção de caixa vem apenas seis meses depois que o N26 já havia levantado outros US$ 300 milhões a um valuation de US$ 2,7 bilhões. 

Detalhe: o N26 ainda não atingiu o breakeven e seu fundador diz não estar preocupado com isso.  

“Para ser sincero, a lucratividade não é uma das nossas principais métricas,” Tayenthal disse ao Financial Times. “Queremos construir uma companhia global de serviços financeiros… e nos próximos anos não teremos lucro, não estamos com o objetivo de dar lucro.”

Tem mais:  “A boa notícia é que temos um monte de investidores que têm bolsos fundos, que compartilham da nossa visão e que estão dispostos a suportar a empresa por mais muitos e muitos anos.”

Os novos recursos serão usados para acelerar a expansão nos Estados Unidos, onde a fintech estreou na semana passada e já tem mais de 100 mil clientes na lista de espera, e para entrar em novos mercados, incluindo o Brasil, onde a empresa vem cadastrando consumidores.

Fundado em 2015 por Maximilian Tayenthal, um consultor alemão que trabalhou em empresas como Booz & Company e CMS, e pelo austríaco Valentin Stalf, o N26 já é a maior fintech alemã e uma das maiores da Europa. 

São 3,5 milhões de clientes que fazem mais de 16 milhões de transações por mês, movimentando perto de € 2 bilhões. A fintech está abrindo 10 mil contas por dia e adicionou 1,5 milhão de novos clientes só nos últimos oito meses. 

(Para efeito de comparação, o Banco Inter tem 2,5 milhões de clientes e também abriu 10 mil contas por dia no segundo trimestre deste ano).

O N26 diz que pretende chegar a 50 milhões de consumidores nos próximos anos. 

A conta digital do N26 se parece com a de outras fintechs: o cliente se cadastra pelo aplicativo, faz transferências sem tarifas e tem direito a um cartão de crédito que pode ser controlado pelo app. Um dos diferenciais é a possibilidade de fazer transferências internacionais sem a cobrança de taxas.

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A Fazenda Futuro — a foodtech brasileira que produz um hambúrguer à base de plantas que simula o gosto e a textura da carne — acaba de ser avaliada em US$ 100 milhões numa rodada liderada pela Monashees. 

Esta é a primeira captação da startup desde que foi fundada há apenas três meses por Marcos Leta e Alfredo Strechinsky, os mesmos empreendedores que criaram e venderam a marca de sucos Do Bem para a Ambev há três anos.

A rodada Series A, de US$ 8,5 milhões, teve ainda a participação da Go4it Capital, a gestora de Marc Lemann e Cesar Villares. 

Com os novos recursos, a Fazenda Futuro quer acelerar sua expansão nacional e aumentar a capacidade de sua fábrica em Volta Redonda, que hoje produz 150 toneladas por mês. Com seu Futuro Burger encontrando uma demanda bem acima do previsto, os fundadores agora vão aumentar a produção para 550 toneladas/mês e ampliar o portfólio de produtos. 

A captação cobre as necessidades de caixa da empresa por 18 meses, Leta disse ao Brazil Journal

A carne à base de plantas é um substituto da proteína animal que simula o gosto, a textura e a cor das carnes tradicionais usando apenas ingredientes vegetais. Quando cortadas, as carnes da Fazenda Futuro chegam a “sangrar” como as de verdade.  

O Futuro Burger é feito com proteína de ervilha, proteína isolada de soja e grão de bico — além da beterraba, que é usada para simular o sangue. 

(Este repórter provou o Futuro Burger e a primeira mordida é realmente de deixar o queixo caído: o gosto é muito parecido com o das carnes tradicionais). 

Hoje, o hambúrguer está em quase dois mil pontos de venda em cinco estados e já pode ser encontrado na seção de carnes do Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart, por exemplo. 

Leta e Strechinsky passaram dois anos desenvolvendo a fórmula do Futuro: viajaram pelos Estados Unidos e Europa para estudar todas as tecnologias e produtos que já existiam no mercado e contrataram uma equipe de engenheiros de alimentos para chegar no que eles chamam de Futuro Burger 1.0.

“Usamos inteligência artificial para estudar as moléculas que compõem a carne e fizemos diversos testes sensoriais para calibrar a quantidade ideal de cada ingrediente. Antes da versão 1.0 criamos nove versões diferentes,” disse Leta. “Nossa ideia é ir atualizando constantemente o produto, como um software.”

Em setembro, a Fazenda Futuro lançará a versão 2.0 do hambúrguer, baseada no feedback dos primeiros consumidores.

O plano é ambicioso: a Fazenda quer atacar o mercado dos grandes frigoríficos nacionais — que ela descreve como seus grandes concorrentes — e não focar apenas nos veganos e vegetarianos, o que pode acender um sinal de alerta para os investidores do setor de proteína tradicional.  

“Queremos chegar num nível de sofisticação em que as pessoas não vão mais conseguir identificar o que é uma carne feita à base de plantas e o que é uma carne normal,” diz o fundador. 

A tese tem se provado. 

Segundo Leta, em algumas redes de supermercado, mais de 70% das vendas do Futuro Burger foram para consumidores de carne.

Por enquanto, o grande inibidor são os preços. Os hambúrgueres da Fazenda ainda custam sensivelmente mais que o hambúrguer-raiz. Para atingir uma escala que tornaria os preços equivalentes ou até menores, a empresa precisará produzir 1,2 mil toneladas por mês.

A Fazenda também está se preparando para levar ao mercado um novo produto: uma carne moída à base de plantas, que será lançada em parceria com o Spoleto. O produto será vendido nas mais de 500 lojas da rede, servido com seu tradicional molho à bolonhesa. 


Outro plano: desenvolver outras texturas de carnes, como as de frango e peixe. 

No Brasil, a Fazenda Futuro está criando uma nova categoria do zero. Mas em países como os Estados Unidos as carnes à base de plantas já estão virando mainstream, impulsionadas por startups como a Beyond Meat — que fez o IPO em maio e já vale US$ 10 bilhões na Nasdaq — e a Impossible Foods.  

Recentemente, o Burger King incluiu o Impossible Burger em seu cardápio e as vendas decolaram.

“A produção de carne demanda muitos recursos: terras, água... Com o aumento do consumo per capita de bovino e o crescimento da população mundial vai chegar um momento em que vai faltar espaço para a produção,” diz Leta. “Simplesmente não vai ter terra para produzir boi pra todo mundo.” 

ARQUIVO BJ:

Redes de fast-food já salivam com as carnes veganas


O hambúrguer free-boi

 
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E de repente... o mercado ficou (temporariamente?) ‘crowded’.
 
Evidência No. 1: a Tecnisa teve que precificar sua oferta a R$ 1,1 por ação, um desconto boçal em relação ao R$ 1,58 do fechamento de ontem (um dia em que o papel já fechou em queda de 7%).
 
OK:  há vários motivos para um desconto tão grande no caso da incorporadora.  Para começo de conversa, ela precisava muito mais dos investidores do que o contrário.
 
Mas os sinais de exaustão do mercado não param por aí.
 
Evidência No. 2:  Ontem à noite, a 24 horas do fechamento de sua oferta, o IRB Brasil tinha, na melhor das hipóteses, apenas as ordens necessárias para cobrir a oferta, sem nenhum sinal de oversubscription.
 
Na última semana, a excitação com o bull market de 2019 está dando lugar a uma pausa, em grande parte porque o número de emissores vindo a mercado está causando uma indigestão.
 
A Hapvida está trazendo R$ 2,6 bilhões em novos papeis para financiar seu crescimento; a Movida, a locadora de carros da JSL, quer levantar R$ 800 milhões; o IRB, R$ 7,8 bilhões, numa oferta secundária da União e do Banco do Brasil.  E, last but not least, a Petrobras deve levantar pelo menos R$ 9 bilhões com a BR Distribuidora (assumindo aí um preço hipotético de R$ 23 e a colocação de todos os lotes adicionais).  
 
Passando a régua, dá R$ 20 bi — sem falar de Banco Inter, Banco Pan, Alupar, Banco do Brasil...
 
Mas tem mais.
 
Em sua posse, o novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que pretende vender R$ 100 bilhões em participações acionárias do banco em empresas.
 
(Muita calma nessa hora, Gustavo, senão tu estraga a festa.  Melhor focar na caixa preta.)
 
O banco tem posições relevantes em Petrobras, Vale, JBS e Suzano.  Estes são só os nomes em que o valor de mercado da participação do banco se conta em bilhões de reais.  Em vários outros nomes, a participação é menos expressiva, mas o free float dos papeis, também — o que significa que a pressão potencial é a mesma. 
 
Talvez seja o fato de que a Previdência não “passou” ainda.  A Câmara entrou em recesso deixando o segundo turno para agosto, e o Senado, com a árdua tarefa de reinserir estados e municípios no texto.  Valha-me, São Tasso Jereissati.
 
Mas o mercado tem que se preparar para uma realidade mais dura:  e se, mesmo com a reforma aprovada, o fluxo internacional demorar a vir?  O mercado conseguirá se escorar apenas no fluxo que migra todo dia da renda fixa?  (No caso da BR, por exemplo, até ontem as ordens eram predominantemente de investidores locais, ainda que seja natural o investidor internacional entrar mais perto da data de corte: segunda-feira à tarde para novas ordens, e terça para ajustes de preço.)
 
Para um operador experiente que já trabalhou anos fora do País, “Se logo depois da Previdência você começar a aprovar uma reforma tributária, isso dá confiança, porque o gringo gosta é do gerúndio — ‘está melhorando’…. Se você falar só que ‘melhorou’, opa!  Ele cai fora achando que é o fim da festa.” 
 
No mês de julho, o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa está negativo em cerca R$ 950 milhões, e, no acumulado do ano, o saldo está negativo em quase R$ 5 bilhões.
 
Estes números, no entanto, não capturam a participação dos gringos em ofertas.  Segundo a Anbima, ela caiu para 41% de todas as ofertas no primeiro semestre deste ano, comparado a 63,7% no mesmo período do ano passado, quando o presidente ainda se chamava Michel Temer.  (Se isso serve de consolo, o crescimento dos fundos de investimento locais contribuiu para esse encolhimento do papel relativo do investidor internacional.)
 
Por ora, o mercado segue aquele mantra da internet: “Ninguém larga a mão de ninguém.” 

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